Plataforma alerta para o risco de desaparecimento das captações de água das populações locais apelando a defender o património natural e o direito à água potável frente à “ameaça extrativista“.
Redação
Sob o lema “A água do Monte das Minas não se mexe”, a Plataforma Mina Touro-O Pino Non emitiu um comunicado em que reafirma a sua oposição ao projeto mineiro da Cobre San Rafael. Desta vez, põe o foco na ameaça direta aos recursos hídricos. A plataforma alerta para o risco de desaparecimento das captações de água que abastecem as populações locais.
A Plataforma, que luta contra a reabertura da mina de cobre a céu aberto desde 2017, alerta para o impacto socioeconómico na agricultura e pecuária e para os riscos nas condições de vida das comunidades locais. Porém, as suas reivindicações evidenciam também os danos irreversíveis nos rios que desaguam na Ria de Arousa, uma das zonas de produção de marisco mais produtivas do mundo. A importância da Arousa não é apenas biológica, mas o motor económico de milhares de famílias.
No comunicado, o coletivo denuncia o que descreve como uma grave violação do direito à informação pública. Segundo a plataforma, o projeto municipal de melhoria da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Touro, continha trechos copiados textualmente de documentos da empresa promotora da mina. Para os vizinhos, este facto revela a conivência e a intenção oculta de ligar infraestruturas públicas aos interesses da futura exploração mineira. A vizinhança também critica o facto de que, enquanto a administração pública dificulta o acesso dos cidadãos aos expedientes, os interesses das multinacionais parecem avançar nos gabinetes.
O comunicado destaca que o projeto de reabertura da mina, que aguarda resolução sobre a Declaração de Impacto Ambiental, eliminaria as atuais fontes de água de Arinteiro e Zebreiro. “Em Touro, o problema da água é evidente: entre a que corre pelos rios contaminada e a que se perde por instalações obsoletas, estamos em alerta máximo“, afirma a plataforma.
A coletivo recorda que este é o nono ano em que os habitantes de Touro e o Pino se mantêm em vigilância. Denunciam que, apesar de serem os proprietários dos terrenos afetados, têm sido ignorados pelo Governo galego. “A lei não é feita para a cidadania, é feita para as empresas que vêm apropriar-se do que não lhes pertence“, conclui o comunicado, apelando à unidade da vizinhança para defender o património natural e o direito à água potável frente à “ameaça extrativista“.

