porta da casa de la lhengua

Governo oficializa equipa para o Plano Estratégico do Mirandês

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Plano visa apoiar o ensino, difusão e produção cultural em mirandês, disponibilizando 500 mil euros anuais. A Universidade de vigo estimou em cerca de 3500 o número de conhecedores da língua com 1500 falantes regulares alertando para uma rotura com a “lhengua”, sobretudo nas gerações mais novas.

Redação |

O Ministério da Cultura nomeou Alfredo Cameirão, como comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa. A resolução para a criação da estrutura, foi aprovada em março de 2025, com o objetivo de aplicar o Plano Estratégico para a Promoção da Língua Mirandesa, apoiar o ensino, difusão e produção cultural em mirandês, dispondo de uma dotação anual de 500 mil euros.

O despacho publicado em Diário da República indica ainda como subcomissários Duarte Martins e Suzana Ruano para aquela estrutura. Alfredo Cameirão é atualmente o presidente da Associaçon da Lhéngua i Cultura Mirandesa (ALCM), escritor e professor do ensino secundário. Já Duarte Martins é professor de mirandês e Suzana Ruano está ligada às tradições e danças mirandesas, sendo igualmente membro da ALCM.

Está também previsto um Conselho Consultivo composto por representantes do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais do Ministério da Cultura, da Direção-Geral da Educação, do Instituto Camões, da Câmara Municipal de Miranda do Douro, da ALCM, das faculdades de Letras das universidades de Coimbra e do Porto, do Instituto Politécnico de Bragança e do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro.

O mirandês foi reconhecido oficialmente segunda língua do país através da lei 7/99. A lei reconhece o direito a cultivar e promover o mirandês, o direito da criança à sua aprendizagem, ao apoio científico e educativo, tendo em vista a formação de professorado de língua e cultura mirandesas. A lei também reconhece que as instituições públicas do concelho de Miranda do Douro poderão emitir os seus documentos acompanhados de uma versão em língua mirandesa.

Um estudo efetuado pela Universidade de Vigo, iniciado em 2020 e coordenado pela professor Xosé-Henrique Costas, alertou para a possibilidade de extinção da língua mirandesa, em redor do ano 2050. O trabalho desta universidade galega estimou em cerca de 3500 o número de conhecedores da língua com 1500 falantes regulares. O estudo identificou uma rotura com a língua, sobretudo nas gerações mais novas. Esta rotura é consequência de uma “forte portugalização linguística”, através da imprensa, rádio, TV, escola e administração pública, e na identificação do mirandês com ruralidade e pobreza.

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