Rosto de pessoa Ianomami

Yanomami e Guarani: os rostos de um genocídio

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Povos originários enfrentam um racismo profundo e uma violência sistemática. As suas terras e recursos são usurpados e as suas culturas sofrem processo de destruição continuada

Redação |

De acordo com as estimativas da Survival International, existem mais de 476 milhões de pessoas pertencentes a povos originários vivendo em mais de 90 estados. Desde os pastores de renas da Sibéria aos caçadores-coletores da Floresta Amazônica, um mosaico pluri-verso de geografias omitidas, está a lutar contra o roubo de suas terras e recursos que, frequentemente, são acompanhados por ataques violentos.

Junto a estes, outros povos originários como os Ayoreo no Paraguai, Jarawa na Índia, Bosquímanos em Bosuana ou Innu no Canadá são o alvo de fazendeiros, madeireiros, mineiros, agronegócios e traficantes de drogas. Estas violações dos direitos humanos passam, muitas vezes, pelas matanças dos seus líderes e o roubo das suas terras e recursos para lucro. O roubo de terras não é só um crime, para povos naturais traz miséria, doenças e morte.

Embora sejam os guardiões maiores da biodiversidade, os povos originários enfrentam um racismo profundo e uma violência de caráter genocida. As suas terras e recursos são usurpados pela ganância corporativa, enquanto as suas culturas sofrem um processo de destruição continuada. No entanto, quando os seus direitos são garantidos e os seus territórios preservados, essas comunidades florescem; a terra não apenas sustenta suas necessidades materiais, mas é o pilar fundamental da sua identidade e dignidade.

Os Yanomami são o maior povo originário relativamente isolado da América do Sul. Eles vivem nas florestas tropicais e montanhas do norte do Brasil e do sul da Venezuela. Agora, estão sendo mortos enquanto o seu território é invadido por milhares de garimpeiros ilegais. Eles trazem violência e doenças infecciosas para as comunidades e estão envenenando rios e peixes com mercúrio. O presidente Lula da Silva, declarou que isso “é um genocídio.” Alguns já não têm contato com estranhos, incluindo outros Yanomami

Por sua parte, os guarani do Brasil sofrem nas mãos de fazendeiros violentos a devastarem o seu território e a roubarem as suas terras para o agronegócio. Eles são sistematicamente atacados por homens armados contratados pelos fazendeiros e, às vezes, até pela polícia militar local.

O povo Guarani Kaiowá enfrenta uma das piores crises humanitárias do Brasil. Crianças passam fome e os seus líderes foram assassinados. Centenas de homens, mulheres e crianças guaranis cometeram suicídio. E a crise está piorando porque o governo brasileiro falhou por anos em demarcar os territórios próprios e remover as empresas agroindustriais que ocupam as terras Guarani Kaioová.

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