operário a mexer em comida estragada num contentor

Desperdício alimentar: 19% da comida mundial vai para o lixo

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Redação |

Em contraste com os 783 milhões de pessoas que enfrentam a fome a nível global, o mundo desperdiçou mais de 1.050 milhões de toneladas de alimentos num único ano. Os dados constam do Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos 2024, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O estudo revela uma crise sistémica onde 19% de toda a comida disponível para os consumidores acaba no lixo e derruba o mito de que o desperdício é um problema exclusivo dos países ricos. Com a melhoria na recolha de dados, observou-se que a diferença entre países de rendimento alto e médio é de apenas 7 kg por pessoa anualmente.

Ao contrário da perceção comum de que o desperdício ocorre principalmente em supermercados ou restaurantes, o relatório aponta os lares como os maiores responsáveis. Das toneladas desperdiçadas, 60% provêm das casas das famílias. Entretanto, o setor de serviços alimentares, responde por 26% e o comércio retalhista por 13%. Em termos práticos, cada pessoa desperdiça, em média, 79 kg de comida por ano. Isto equivale a mil milhões de refeições comestíveis deitadas fora todos os dias: o suficiente para fornecer 1,3 refeições diárias a cada pessoa que passa fome no mundo.

A crise é também ambiental: o desperdício de alimentos gera entre 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. Este valor representa quase cinco vezes as emissões totais de todo o setor da aviação. O relatório identifica ainda uma correlação preocupante com a temperatura: países mais quentes registam maior desperdício per capita, possivelmente devido à falta de cadeias de frio fiáveis e ao maior consumo de produtos frescos.

Um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, estabelece a meta de reduzir o desperdício para metade até 2030. No entanto, o PNUMA alerta que apenas Austrália, EUA, Japão, Reino Unido e a União Europeia possuem dados adequados para acompanhar este progresso. O relatório destaca exemplos de sucesso: o Japão já reduziu o seu desperdício em 31% e o Reino Unido em 18%, graças às mudanças de comportamento nos lares.

A análise sugere que os esforços devem focar-se na circularidade das cidades, onde o desperdício é mais acentuado do que nas zonas rurais, onde os restos são frequentemente desviados para animais ou compostagem.

Com a revisão dos planos climáticos nacionais prevista, o PNUMA insta os governos a incluírem a redução do desperdício alimentar como uma estratégia central. “O desperdício de alimentos é uma falha ambiental, económica e moral”, conclui o relatório, apelando a uma ação que ligue a consciencialização individual à reforma sistémica da cadeia de abastecimento.

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