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Na tarde de terça-feira, foi apresentada no Museu do Povo Galego, a restauração do filme “Uma viagem pela Galiza“.
O filme, dirigido por Luis R. Alonso, foi restaurado a partir da cópia em celuloide que esteve custodiada durante décadas pelo Arquivo da Deputação da Corunha.
Trata-se da primeira longa-metragem documental do cinema mudo rodada na Galiza e a única obra do período pré-Guerra Civil que se conserva integralmente.
A rodagem, feita em 1929 – ano do crash da bolsa de Nova York e do esgotamento da ditadura de Primo de Rivera no estado espanhol – é um momento de transição na Galiza, entre a sociedade rural e uma modernidade incipiente.
Valentín González Formoso, presidente da Deputação, sublinhou o valor histórico e emocional do filme e declarou que “recuperar este filme é recuperar parte da alma de um país” e acrescentou que “é um documento de valor incalculável, no qual não vemos só um país antigo, mas o nascimento da Galiza contemporânea.”
A produção foi realizada com o objetivo de servir de montra na Exposição Ibero-Americana de Sevilha, onde os territórios do estado espanhol procuravam projetar a sua identidade.
“Uma viagem pela Galiza” percorre o país registando paisagens costeiras e rurais, cidades em transformação, arquiteturas já desaparecidas, cenas de trabalho agrícola e marítimo, destas populares, a vida nos balneários e a incipiente construção naval em Ferrol.
A restauração permitiu recuperar a textura e a montagem originais do filme.
Além disso, foi incorporada uma nova banda sonora, criada e dirigida por Maximino Zumalave, baseada em obras de compositores contemporâneos ao filme, como Rodríguez Lousada e Andrés Gaos.

