Pessoas por trás da Faixa dos Ninguéns, sob a legenda - Pelos Direitos das pessoas em situação de pobreza.

Denunciam emergência social em Vigo

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Ao longo de 2025, o Foro Os Ninguéns manteve-se na linha da frente da luta contra a exclusão social, com a habitação e a situação das pessoas sem-abrigo a serem os temas centrais.

Redação |

O Foro Socioeducativo os Ninguéns voltou a erguer a voz nas ruas de Vigo para denunciar o que classificam como uma “emergência social” encoberta pelo brilho das famosas luzes de Natal da cidade.

Após o falecimento de duas pessoas sem-abrigo nas últimas semanas – uma delas de forma violenta – o coletivo organizou várias concentrações para reclamar ao presidente socialista da Câmara Municipal, Abel Caballero, que “não se deixe cegar” pela iluminação e veja as “sombras” da realidade.

Uma das concentrações mais simbólicas decorreu junto ao relógio da Rua Príncipe, que marcava a contagem decrescente para o acendimento das luzes.

O porta-voz foi incisivo ao desmentir a afirmação recorrente de que “em Vigo dorme na rua quem quer“, sublinhando que esta é uma forma de “publicidade enganosa” sobre a gestão das políticas sociais.

Em janeiro, convocou uma concentração de protesto no albergue municipal para denunciar a “aporofobia institucional” e a falta de empatia das administrações. As críticas intensificaram-se em fevereiro, quando exigiram o realojamento imediato das pessoas afetadas pelo encerramento da antiga estação de autocarros.

Em agosto, manifestaram a sua insatisfação face ao novo plano de habitação, considerando-o “insuficiente” para resolver a emergência habitacional que afeta a cidade. A falta de diligência dos serviços sociais foi também posta em causa em setembro.

O coletivo denunciou o caso de uma vizinha que vive em condições de barraca sem serviços básicos e que aguardava há dois anos por uma resposta do departamento de Bem-Estar Social. O coordenador do Foro, advertiu que “a situação em Vigo é cada vez pior, porque cada vez há mais gente a dormir na rua“.

O coletivo estima que cerca de uma centena de pessoas “mal-vive” na rua, em ruínas ou em infravivendas. Segundo a organização, a atual oferta de vagas nos albergues da cidade não resolve a crise, pois em muitos casos “ao fim de 10 dias dizem-lhes: para a rua”.

Os Ninguéns alertam que a constante troca de culpas entre a Câmara Municipal e o Governo Galego quanto às competências da política social deixa os mais vulneráveis à deriva, pagando o preço da “pobreza severa“.

O coletivo fez um apelo ao governo municipal para a necessidade de políticas sociais mais humanas, que garantam dignidade e proteção, e que o espírito solidário do Natal se reflita na ação política, e não apenas na decoração da cidade.

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