Edifício do Grau em relações internacionais da Uvigo no pólo de Ourense

Grau da Universidade de Vigo mergulha na Lusofonia

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Redação |

Os estudantes do Grau em Relações Internacionais da Universidade de Vigo, no pólo universitário de Ourense, participaram numa jornada de formação dedicada à Lusofonia, com o objetivo de reforçar o seu conhecimento sobre a importância cultural, económica e geopolítica do espaço de língua portuguesa para a Galiza.

No encontro intervieram Xosé Lago, subdiretor de Ação Externa do Governo Galego; Daniel González, diretor do Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional (IGADI), e Burghard Baltrusch, diretor da Cátedra Internacional José Saramago da Universidade de Vigo.

A iniciativa, promovida pela Faculdade de Ciências Sociais e da Comunicação, procurou dotar os futuros internacionalistas de uma perspetiva aprofundada sobre as dinâmicas que unem os países-membros da CPLP. O professor Burghard Baltrusch apresentou uma análise sobre a disfuncionalidade dos laços que unem a Galiza e o espaço lusófono.

O especialista abordou criticamente o próprio conceito de lusofonia, expondo as suas complexidades e debatendo as problemáticas relacionadas com o colonialismo. Baltrusch propôs uma abordagem político-terapêutica, sugerindo um caminho de tratamento e reajuste para superar as disfunções identificadas. O académico concluiu com uma série de perguntas abertas sobre o porvir e as potenciais direções da interligação galego-lusófona.

O Diretor do IGADI, Daniel, González apresentou uma visão abrangente sobre a atuação internacional da Galiza, enquadrando a sua ação externa no referencial teórico da paradiplomacia e no papel crescente dos novos atores no cenário global. Durante a sua intervenção, fez também um percurso histórico pelos principais marcos da diplomacia galega e sobre o trabalho desenvolvido pelo IGADI enquanto um dos principais impulsionadores e analistas da política externa galega.

O subdiretor de Ação Externa do Governo Galego, Xosé Lago, apresentou os principais eixos da ação externa galega, sublinhando o papel estratégico da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal e a importância crescente da Lusofonia nas prioridades internacionais da Galiza. Lago destacou que esta projeção externa assenta num enquadramento legal para a sua concretização: a Lei 1/2014 (Lei Paz Andrade), que visa o aproveitamento da língua portuguesa e o fortalecimento dos vínculos com o espaço lusófono; e a Lei 10/2021, que regula a ação externa e a cooperação para o desenvolvimento.

Na vertente diplomática, Lago, enfatizou que, por iniciativa direta da Galiza, o estado espanhol foi reconhecido como membro observador associado da CPLP. Adicionalmente, várias instituições galegas já detêm o estatuto de observadores consultivos no organismo, a saber, a Academia Galega da Língua Portuguesa, a Associação de Docentes de Português na Galiza, a Associaçom Galega da Língua e o Conselho da Cultura Galega.

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