Redação |
De 10 a 25 de novembro, a cidade de Belém, capital do Pará, será o palco das discussões ambientais globais ao sediar a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP30.
A cúpula climática ocorrerá no coração da Amazônia, conferindo um significado notório ao encontro e colocando o bioma mais vital para o equilíbrio climático mundial no centro das discussões e negociações.
A COP, órgão máximo da ONU para a ação climática, reúne anualmente chefes de estado, ministros, negociadores, setor privado e sociedade civil, sendo que, esta edição, representa o ponto culminante de um ciclo de avaliação e a oportunidade derradeira para impulsionar a implementação de ações concretas até 2030.
A estrutura da COP30 será dividida numa área oficial para as negociações (Blue Zone) e num espaço aberto ao público, focado em soluções sustentáveis e engajamento da sociedade civil (Green Zone).
No entanto, o diferencial em Belém será a centralidade dada ao Círculo dos Povos, um espaço dedicado a integrar as vozes dos povos originários e comunidades tradicionais da Amazônia. A escolha da capital do Pará é também um aceno à necessidade de incluir as soluções baseadas na natureza e o conhecimento dos povos originários na vanguarda da política climática.
O Presidente, Lula da Silva, pautou esta COP30 como a “COP da Verdade“, e incidiu na necessidade de uma reflexão profunda e compromisso ambicioso, propondo um pacto pela vida das florestas, oceanos e da própria humanidade. Sendo o financiamento climático um dos pilares fundamentais da agenda brasileira, o governo, em colaboração com a Presidência da COP29 (Azerbaijão), apresentou o “Mapa do Caminho de Baku a Belém”, cujo objetivo é mobilizar 1 bilião e 126 mil milhões de euros em financiamento climático até 2030.
Essa cifra é um reconhecimento de que as nações em desenvolvimento precisam de suporte financeiro para cumprir suas Contribuições Nacionalmente Determinadas – NDC, a saber, os planos de ação climática que cada país signatário do Acordo de Paris adotado na COP21 em 2015, se comprometeu a implementar, assim como os Planos Nacionais de Adaptação – NAP.
Enquanto as NDCs focam especialmente na redução de emissões, os NAP estão dedicados à adaptação aos impactos das mudanças climáticas com o objetivo de ajudar os países em desenvolvimento, a identificar e priorizar as necessidades de adaptação às mudanças climáticas nas políticas, programas e orçamentos nacionais, setoriais e locais, fortalecer a resiliência e reduzir a vulnerabilidade aos impactos climáticos.
Além das negociações de alto nível, a COP30 buscará impulsionar uma “Agenda de Ação” iniciativas como a proposta brasileira para a criação de uma infraestrutura digital pública global, visando acelerar o enfrentamento às mudanças do clima por meio da tecnologia e da cooperação.

