Redação |
Portugal ocupa o 20.º lugar entre os países europeus e a 35ª posição a nível global, contando com 22,4% da população a utilizar ferramentas de IA no seu dia a dia.
Em menos de três anos, mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo utilizaram a IA. Nenhuma outra tecnologia na história se disseminou tão rapidamente.
No entanto, por trás destes números, começam a surgir os padrões de difusão desigual, sendo que quase quatro mil milhões de pessoas ainda não têm os requisitos básicos para a utilizar, refletindo desigualdades estruturais entre o Sul Global e o Norte.
O AI For Good Lab da Microsoft acaba de divulgar o Relatório sobre a difusão da IA: onde a IA é mais utilizada, desenvolvida e construída, que analisa o impacto, a distribuição e a adoção desta tecnologia a nível mundial.
O relatório revela que Portugal ocupa o 20.º lugar entre os países europeus e a 35ª posição a nível global, contando com 22,4% da população a utilizar ferramentas de IA no seu dia a dia. A difusão da IA está fortemente correlacionada com o PIB dos países. Em algumas regiões da África Subsariana e da Ásia, a taxa de utilização é inferior a 10%.
Em contraste, em Singapura, Emirados Árabes Unidos, Noruega e Irlanda, mais de metade da população em idade ativa utiliza a IA. A ausência de eletricidade estável limita capacidade de utilizar a IA, especialmente em regiões da África Subsariana, onde se concentra 85% da população mundial sem acesso à energia.
A proximidade aos centros de dados também tem uma influência direta, sendo que a maioria das infraestruturas está localizada no Norte Global, com os Estados Unidos e a China à frente, a representarem cerca de 86% da computação global. O acesso à internet revela-se um fator decisivo: em países como o Zâmbia, a taxa nacional de utilização de IA é de 12%, mas sobe para 34% entre os utilizadores com ligação à rede, revelando que a conectividade é essencial.
Por sua parte, a inclusão linguística é um outro fator essencial para garantir que a IA beneficie todas as comunidades. A predominância do inglês nos dados que alimentam os modelos de IA exclui milhões de pessoas que falam línguas subrepresentadas na web; estes países apresentam taxas de adoção até 20% inferiores, mesmo com níveis semelhantes de PIB e conectividade.

