Redação |
Em 27 de setembro de 1975, três membros da Frente Revolucionária Antifascista e Patriota (FRAP) e dois da Euskadi Ta Askatasuna (ETA) foram executados por fuzilamento apenas dois meses antes da morte do general Francisco Franco. Em vez de um final pacífico, o regime parecia ter optado por mais uma demonstração de violência.
Os fuzilamentos desencadearam uma onda de protestos e repúdio. No País Basco, foi decretada uma greve geral em pleno estado de emergência e em várias cidades espanholas, multiplicaram-se os protestos.
Governos, organizações de direitos humanos e cidadãos comuns ergueram a voz contra a brutalidade do regime. O presidente mexicano Luis Echeverría pediu a expulsão da Espanha da ONU. Treze países, incluindo a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França, retiraram os seus embaixadores e o papa Paulo VI expressou a sua condenação. A embaixada espanhola de Lisboa e o consulado do Porto foram incendiados.
A resposta do regime foi convocar uma manifestação de apoio em Madrid. O ditador Franco, muito debilitado fisicamente, participou da mesma, acompanhado pelo príncipe das Astúrias e futuro rei de Espanha, Juan Carlos de Bourbon.
Os executados – José Humberto Baena Alonso, Ramón García Sanz e José Luis Sánchez Bravo (da FRAP) e Jon Paredes Manot e Ángel Otaegi Etxeberria (da ETA) – tinham sido acusados de matar membros das forças de segurança. Os seus julgamentos foram amplamente criticados por não atenderem um processo justo, sem acesso a advogados de defesa independentes e com confissões obtidas sob tortura. A rapidez e a falta de transparência dos processos foram vistas como a prova de que as execuções eram mais um ato de retaliação e intimidação do que de justiça.
Para a Galiza, os fuzilamentos foram particularmente dolorosos já que Baena era natural de Vigo, uma cidade que se tornara um foco de oposição à ditadura e Bravo, embora nascido em Cáceres, tinha uma conexão emocional e política com a Galiza, onde tinha participado em atividades antifascistas.
Em setembro de 1975 ainda ecoava na Galiza o assassinato do militante da União do Povo Galego José Ramom Reboiras Noia. Na noite de 12 de agosto, na cidade de Ferrol, efetivos da Brigada Política e Social acompanhados de mais de 300 agentes da Polícia Armada, cercaram o edifício onde estava refugiado Reboiras, sendo alcançado na Rua da Terra onde foi baleado até à morte.
Em novembro de 2024 e agosto de 2025 respetivamente, o Governo de Espanha declarou «ilegítima e nula» a condenação à morte proferida contra Bravo e Baena. O documento oficial certifica que Baena «tem direito ao reconhecimento e à reparação moral e à recuperação da sua memória pessoal, familiar e coletiva» e que, em virtude da lei da memória democrática de 2022, declara-se «ilegal e ilegítimo o tribunal que julgou» Baena.

