Tradição secular voltou a reunir portugueses e galegos nas margens do rio Minho/

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O tradicional Lanço da Cruz, uma das mais emblemáticas celebrações do Alto Minho, voltou a unir as comunidades de Cristelo Covo (Valença) e Sobrada (Tominho) no Rio Minho, reafirmando-se como um Património Cultural Imaterial.

Esta cerimónia, que marca o ponto alto das Festividades em honra de Nossa Senhora da Cabeça, atraiu ontem 21 de abril milhares de pessoas às margens do rio, num momento de profunda fé, tradição e convívio transfronteiriço.

𝐔𝐦 𝐑𝐢𝐭𝐮𝐚𝐥 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐠𝐞𝐫𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬

Às 16h00, os párocos de ambas as paróquias entraram em barcos de pesca tradicionais, levando consigo as Cruzes Pascais, e dirigiram-se ao meio do Rio Minho. Ali, as cruzes foram beijadas pelos sacerdotes e comitivas, simbolizando a união entre as duas margens.

A Cruz portuguesa seguiu para Sobrada (Galiza), enquanto a galega foi levada para Cristelo Covo (Portugal), sendo oferecida ao beijo dos fiéis de ambos os lados do rio. O momento foi acompanhado pelos sons tradicionais dos bombos, pandeiretas, castanholas, concertinas e gaitas de foles, que animaram a celebração.

𝐔𝐦𝐚 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐌𝐢𝐬𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐅𝐞́, 𝐇𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚

Além do ritual religioso, o Lanço da Cruz mantém traços de antigos cultos pagãos ligados às águas, fundindo-se com a tradição cristã. A presença de pescadores, que lançam as redes em busca da lampreia, reforça a ligação secular das comunidades ao Rio Minho.

𝐔𝐦𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚 𝐚 𝐮𝐧𝐢𝐫

Sob um sol radiante, milhares de minhotos e galegos celebraram mais um capítulo desta tradição centenária, que continua a fortalecer os laços entre Portugal e a Galiza. O Lanço da Cruz não é apenas um ato de fé – é um património vivo, testemunho da riqueza cultural do Minho e da sua história partilhada.

Fonte: cm-valenca.pt

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