Prédio da Oficina Europeia de Patentes

Portugal lidera participação de mulheres no pedido de patentes na UE

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Número é 10 pontos percentuais acima da média europeia, atingindo os 26,9%, mas a disparidade de género ainda é elevada. Falta de autonomia na liderança feminina de projetos e dificuldades na progressão profissional principais entraves

Redação |

Portugal lidera o ranking da Organização Europeia de Patentes (OEP), situando-se 10 pontos acima da média. No entanto, esta produtividade científica convive com uma acentuada disparidade de género, revelando que a ascensão tecnológica do país ainda não se traduz numa inclusão plena de investigadoras.

A percentagem de mulheres inventoras na Europa cresceu de forma pouco expressiva nos últimos anos, atingindo os 13,8% em 2022. Em Portugal, o ritmo de crescimento acompanhou esta tendência: a representação feminina nos pedidos de patente passou de 26,9% (2013-2017) para 29,3% entre 2018 e 2022.

O estudo da OEP evidencia que a falta de autonomia na liderança feminina de projetos e as dificuldades na progressão profissional são os principais entraves. Sem políticas que combatam estas barreiras estruturais, o contributo individual das inventoras continuará a ser uma exceção num campo ainda dominado por hierarquias masculinas.

Apesar de o volume total de patentes não rivalizar com as maiores potências industriais, Portugal destaca-se em três pilares fundamentais: a elevada percentagem de inventoras nomeadas, o dinamismo das startups fundadas por mulheres e a eficácia destas empreendedoras no registo de propriedade intelectual.

Embora o empreendimento na Europa esteja a tornar-se mais inclusivo — com a presença feminina nas empresas recém-criadas a atingir os 14% —, a progressão de carreira destas startups continua condicionada. O relatório adverte que a visibilidade das fundadoras diminui drasticamente nas etapas de financiamento mais maduras. Este fenómeno sugere que as mulheres enfrentam dificuldades estruturais para escalar os seus negócios e captar grandes volumes de investimento.

O relatório também conclui que a participação feminina na Ciência e Tecnologia não é uniforme. As Ciências da Vida posicionam-se como o setor de maior equilíbrio: a indústria farmacêutica lidera com 34,9% de inventoras, seguida de perto pela biotecnologia (34,2%) e pela química alimentar (32,3%). No polo oposto, o cenário é de exclusão quase total nos domínios de engenharia mais intensivos em patentes. O estudo aponta níveis residuais em áreas como máquinas-ferramenta (5,7%), processos básicos de comunicação (5,5%) e elementos mecânicos, onde a presença feminina atinge apenas 4,9%.

O estudo da OEP também clarifica que a maior concentração de talento feminino não está nas empresas, mas nas instituições públicas e universidades, onde as mulheres assinam 24,4% das invenções. Esta liderança do setor público ratifica a importância de políticas de igualdade no ensino superior, ao mesmo tempo que lança um desafio às pequenas e médias empresas, que permanecem na cauda da participação feminina em propriedade intelectual.

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