manife em compostela contra o projeto da ALTRI na Galiza

A queda do tigre de papel da ALTRI

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Governo galego confirmou arquivamento definitivo do processo para a instalação da Altri em Palas de Rei. Decisão põe fim a dois anos de incerteza e resistência popular.

Redação

A pressão e a firme contestação social conseguiram derrubar o “Projeto Gama”. Aquilo que o Governo de Rueda apresentava como motor industrial da Galiza acabou num arquivo administrativo perante a inviabilidade técnica e a rejeição maciça da cidadania.

Numa jornada que já é classificada como histórica para o ambientalismo e para os movimentos sociais na Galiza, o Governo galego confirmou ontem o arquivamento definitivo do processo para a instalação da macrocelulose da multinacional portuguesa Altri em Palas de Rei. A decisão, põe fim a dois anos de incerteza e resistência popular.

O arquivamento do projeto é fruto da consequência direta de uma mobilização social que não parou de crescer desde que se conheceram as dimensões reais da planta. O que seria uma fábrica de “fibras têxteis” revelou-se uma macrocelulose dez vezes maior que a da ENCE em Ponte Vedra, desencadeando uma onda de indignação que culminou em manifestações multitudinárias em Compostela e na própria comarca da Ulhoa.

Oficialmente, o Governo galego justifica este movimiento pela impossibilidade de garantir a conexão elétrica necessária para a planta. O Governo central já tinha excluído o projeto do planeamento energético e dos fundos europeus (PERTE), deixando a Altri sem o suporte financeiro e técnico que exigia. No entanto, para os movimentos sociais, este “obstáculo técnico” é apenas a saída airosa que a Junta procura para não admitir uma derrota política. Como assinalaram diversas vozes do soberanismo e do movimento social é o triunfo da dignidade de um país que não quer ser o esgoto industrial de ninguém.

A vitória contra a macrocelulose da Altri parece ser também uma mensagem clara para os grandes gabinetes: a sociedade galega rejeita modelos extractivistas que ponham em perigo a água, a terra e o futuro.

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