cartaz do estudo

Dois em cada três jovens legitimam abusos no namoro

   Tempo de leitura: 2 minutos

68,2% dos jovens não consideram como violência pelo menos um dos quinze comportamentos abusivos listados num inquérito. 66,7% dos jovens afirmam ter experienciado, pelo menos, um indicador de vitimação. O controlo destaca-se como o comportamento mais reportado, afetando 46,9% dos inquiridos.

Redação |

Os dados do projeto Art’Themis+, apresentados pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), mostram que a maioria dos jovens portugueses não identifica o controlo e a perseguição como formas de violência.

Segundo os resultados do Estudo Nacional sobre Violência no Namoro de 2026, apresentado na semana passada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, 68,2% dos jovens não consideram como violência pelo menos um dos quinze comportamentos abusivos listados no inquérito.

O estudo, que contou com uma amostra representativa de 8.080 jovens de todo o país, revela que as barreiras para a identificação da violência são ainda muito elevadas. O comportamento mais legitimado pelos participantes é o controlo (53,4%), seguido pela perseguição (40,9%) e pela violência psicológica (27,6%). De forma preocupante, a violência através das redes sociais e a violência sexual também apresentam taxas de desvalorização significativas, com 18,1% e 15,1%, respetivamente, a não reconhecerem estas práticas como abusivas.

Para além das perceções, o estudo debruçou-se sobre a experiência direta dos jovens em relações de namoro. Os números da vitimação são contundentes: 66,7% dos jovens afirmam ter experienciado, pelo menos, um indicador de vitimação. O controlo destaca-se como o comportamento mais reportado, afetando 46,9% dos inquiridos.

O relatório aponta ainda que, embora a violência física seja a mais facilmente identificada como inaceitável (apenas 5,9% a legitimam), as formas de violência “invisível” — como a pressão psicológica e a invasão da privacidade digital — estão profundamente enraizadas na cultura juvenil.

Desde 1976, a UMAR atua na promoção da igualdade e no combate à violência de género. Em 2004, lançou um programa de prevenção primária em escolas, que evoluiu para o projeto ART’THEMIS+. Com financiamento público e acompanhamento da CIG desde 2014, esta iniciativa intervém de forma contínua em vários distritos, do pré-escolar ao ensino secundário. Além da ação pedagógica, a UMAR desenvolve anualmente, desde 2017, o estudo nacional “Violência no Namoro em Portugal“.

Share