O outono dos ecrãs: Mapeamento dos Festivais de Cinema do Outono na Galiza e Portugal

   Tempo de leitura: 8 minutos

Redação |

Entre setembro e dezembro de 2026, a Galiza e Portugal transformam-se num autêntico corredor cinematográfico. Mais de vinte festivais que abrangem desde o cinema fantástico ao documental de intervenção, passando pelas narrativas LGBTQIA+, a animação e o cinema ambiental, promovem a descentralização e afirmam-se como polos de divulgação e democratização cultural.

De 17 a 26 de setembro, o Galician Freaky Film Festival celebrou a sua décima edição nos Cines Tamberlick. Consolidado como a referência galega do cinema fantástico e de culto, o certame contou com a presença de Lloyd Kaufman (cofundador da Troma) e a estreia do selo Méliès d’Argent.

Ainda no âmbito do fantástico, o Curtas – Festival do Imaxinario regressa a Vila Garcia de Arousa entre 23 de outubro e 1 de novembro de 2026 para celebrar a sua 54.ª edição. O certame é reconhecido como a grande referência galega do cinema fantástico, de terror e da ficção científica através de produções nacionais e internacionais. A iniciativa também dinamiza a cidade com exposições, encontros de banda desenhada, a secção literária “Tinta e Medo” e torneios de jogos de mesa e de rol.

O MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa assinalou a sua 20.ª edição entre 3 e 13 de setembro de 2026, tendo o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa como palcos principais. O certame apresentou 145 sessões com mais de 170 filmes de 40 países.

A dimensão política, social e de identidade marca de forma vincada a agenda dos festivais de outono. Na capital portuguesa, de 15 a 25 de outubro, a 24.ª edição do Doclisboa ocupou a Culturgest e o Cinema São Jorge com uma vasta oferta documental. Destacaram-se a retrospetiva dedicada ao cineasta filipino Lino Brocka, um programa focado na salvaguarda da memória palestiniana e os encontros profissionais do espaço Nebulae.

A afirmação da diversidade sexual e de género esteve em evidência com as edições do Queer Lisboa – 30.ª edição, no Cinema São Jorge -, de 18 a 26 de setembro, e do Queer Porto – 12.ª edição, no Batalha Centro de Cinema – de 3 a 7 de novembro. Ambos os eventos reafirmaram o papel do cinema como ferramenta de reflexão crítica, acolhendo debates, retrospetivas e perspetivas plurais sobre corpos e identidades dissidentes.

A perspetiva de género encontrou espaço privilegiado, de 25 e 26 de setembro, no Ciclo de Cinema Galego-Português: Mulheres, Patrimónios, Sociedade, organizado em Vigo pelo Conselho da Cultura Galega. O evento colocou em diálogo produções de realizadoras galegas e portuguesas, como Xiana do Teixeiro, Margarita Ledo e Rita Calvário.

Em Santiago de Compostela, o festival AMAL – Semana de Cine Euroárabe -, com a súa edição agendada de 26 a 30 de outubro, continua a construir pontes entre a Galiza e o mundo árabe, com um foco especial no cinema palestino e na preservação da memória cultural.

A relação cultural entre a Galiza e os países de língua portuguesa ganha expressão direta no Pontes – Semana do Cinema Galego e Português (antigo Ponte Com a Lusofonia). Realizado em Vigo, o evento promove encontros entre profissionais, exibições de curtas e longas-metragens e aborda a sustentabilidade no setor audiovisual, com a sua 6.ª edição agendada para decorrer de 22 a 24 de outubro de 2026.

Outro pilar da divulgação na Galiza é o Ourense Film Festival, que chegou à sua 31.ª edição e realizou-se entre 25 de setembro e 4 de outubro, combinando a Secção Oficial Internacional e o Panorama Galiza com fóruns industriais e concertos sinfónicos.

Paralelamente, a 48.ª Semana de Cinema de Lugo, organizada pelo Grupo Fonmiñá, espalhou a sétima arte por espaços icónicos da cidade como O Velho Cárcere e o Auditório Gustavo Freire, entre 21 e 26 de setembro de 2026.

Na capital galega, o Cineuropa comemora a sua 40.ª edição de 6 a 22 de novembro. Embora a programação ainda não tenha sido publicada, o festival já abriu a convocatória para o seu “XuradoNovo”, convidando jovens entre os 18 e os 25 anos a integrar o júri de avaliação do certame.

Em Pontevedra, a 11.ª edição do Novos Cinemas decorre de 8 a 13 de dezembro de 2026. Focado nas primeiras e segundas obras de realizadores emergentes, o festival conta com exibições, masterclasses e encontros profissionais no Teatro Principal, em salas locais e no campus da Universidade de Vigo.

A consciência ambiental têm lugar de destaque. Em Seia, a 32.ª edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela aliou, de 9 a 17 de outubro o cinema à transição ecológica. Um dos pontos altos foi a plantação do “Bosque CineEco”, um anfiteatro e sala de cinema natural vocacionado para edições futuras.

A experiência sensorial do cinema musicado ao vivo é a imagem de marca do FilmFest – Festival de Cinema Musicado ao Vivo, a realizar em Setúbal de 22 de outubro a 1 de novembro, que na sua 8.ª edição convida músicos e ensembles a musicar clássicos do cinema mudo e obras contemporâneas.

A experimentação e o cinema de vanguarda encontraram espaço, de 13 a 17 de outubro, no INTERSECCIÓN – Festival Internacional de Cinema da Corunha, focado na inovação narrativa e no ecossistema industrial através do espaço NEXUS.

Do mesmo modo, a quinta edição do LISBIFF (Lisbon Indie Film Festival), a 12 de dezembro, e o LEFFEST (Lisboa Film Festival), de 6 a 15 de novembro, trazem a Lisboa uma programação que cruza o cinema com as artes plásticas, a literatura e a música, com eventos e exibições no Cinema São Jorge, MUDE e Tivoli, entre outros espaços culturais.

Na vertente do documentário e da intervenção social, a margem sul do Tejo ganhou destaque com a 5.ª edição do Sonica Ekrano, que levou ao Barreiro, de 11 a 19 de setembro, uma seleção de filmes dedicada às “músicas das margens”, ao som e ao território

Longe das cidades, uma rede diversificada de festivais assume um papel determinante na democratização do acesso à cultura e na formação de novas audiências.

Na Ria de Ponte Vedra, a 19.ª edição do FICBUEU (Festival Internacional de Cinema de Bueu) decorreu entre 4 e 19 de setembro de 2026. O certame apostou no fomento de novos criadores através do programa Residência FICBUEU e na aproximação às camadas mais jovens com as iniciativas do MiniFIC.

O Arouca Film Festival, cuja 24.ª edição decorreu de 9 a 19 de setembro sob a promoção do Cine Clube de Arouca, mantém viva a exibição de cinema independente em territórios do interior. A programação integrou exibições de curtas e longas-metragens, documentários e ficção, além de estreias, debates e encontros com realizadores,

Enquanto isso, no Barreiro, o festival Entre Olhares, com a 8.ª edição agendada para 7 a 16 de novembro, dedica-se à valorização da cinematografia nacional e estimula a produção local através do projeto educativo e do programa Novos Olhares.

Já em Torres Vedras, a 8.ª edição do festival bienal de animação BANG Awards decorreu de 25 a 27 de setembro de 2026. O evento foca-se no incentivo à criação artística, na promoção de jovens talentos e na aproximação do público à animação. A sua programação ao ar livre no Parque do Choupal inclui competições internacionais e universitárias, exibições, masterclasses, workshops de animação e instalações multimédia.

Por sua vez, a expansão territorial alcança o contexto insular com o IndieAçores | PDL26, de 25 a 27 de setembro. Realizado no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, esta extensão do IndieLisboa aproxima o cinema de autor e independente do público açoriano, promovendo a formação de públicos com sessões escolares, familiares e oficinas criativas.

O Tribeca Festival Lisboa, extensão europeia do certame norte-americano coproduzida com a SIC e a Câmara Municipal de Lisboa, realiza-se de 9 a 13 de dezembro de 2026. O evento cruza cinema, música, televisão, podcasts, talks e experiências imersivas, celebrando o storytelling contemporâneo na capital.

Share