Introdução
No dia 4 de outubro de 2026, mais de 125 milhões de eleitores brasileiros foram às urnas para o primeiro turno das eleições gerais. O resultado confirmou a profunda polarização do país e definiu os dois candidatos que disputarão o segundo turno no próximo dia 25 de outubro. Este artigo apresenta um balanço do primeiro turno, a nova configuração do Congresso Nacional, os perfis e as posições geopolíticas dos dois candidatos que seguem na disputa, e a relevância desta eleição para a América do Sul e para o bloco dos BRICS.
1. Resultado do Primeiro Turno
Com praticamente 100% das urnas apuradas, o senador Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) surpreendeu ao terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores, PT).
| Candidato | Partido | Votos válidos |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | PL | 47,03% (56.104.503 votos) |
| Lula da Silva | PT | 45,16% (≈53,9 milhões de votos) |
A disputa foi marcada por uma forte divisão regional. Flávio Bolsonaro venceu em 14 estados e no Distrito Federal, dominando todas as unidades federativas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Lula foi o mais votado em 12 estados, incluindo todos os nove da região Nordeste e três da região Norte. Um dado particularmente relevante foi a derrota de Lula em Minas Gerais — estado que nunca deixou de ser vencido por um presidente eleito desde a redemocratização.
Entre os eleitores no exterior, Lula venceu com 47,6% dos votos válidos contra 43,5% de Flávio, embora a abstenção tenha sido muito elevada (quase 63%). Nos Estados Unidos, maior colégio eleitoral brasileiro no exterior, Flávio venceu com 61%.
2. Nova Configuração do Congresso Nacional
Câmara dos Deputados
O Partido Liberal (PL) consolidou-se como a maior bancada da Câmara, elegendo 121 deputados — 24 a mais do que em 2022, o que representa 23,6% das 513 vagas. A segunda maior bancada ficou com a federação PT-PCdoB-PV, com 88 cadeiras (das quais 70 são do PT). O União Progressista (União + PP) obteve 87 vagas, seguido pelo PSD (43), Republicanos (41) e MDB (36).
O índice de reeleição foi de 58,67% (301 deputados), enquanto 183 parlamentares assumirão um primeiro mandato — 35,67% do total.
Senado Federal
O Senado renovou dois terços de suas 81 cadeiras (54 senadores eleitos para mandatos de oito anos). O PL elegeu 19 senadores, ampliando sua bancada dos atuais 15 para 28 parlamentares a partir de 2027, tornando-se a maior força da Casa. O PT manteve 9 senadores, e o MDB perdeu duas cadeiras, caindo para 8.
Um dado relevante: em cinco unidades federativas (Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina), os dois senadores eleitos são do PL — as chamadas “dobradinhas”. A eleição também registrou um recorde de representação feminina: 18 senadoras e 127 deputadas no total.
3. Quem São os Candidatos e o que Defendem
Flávio Bolsonaro (PL) — A Direita Alinhada a Washington
Flávio Bolsonaro, 45 anos, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disputa sua primeira eleição presidencial. Seu pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado contra Lula em 2022, indicou-o como candidato. Flávio apresenta-se como uma versão “mais moderada” de seu pai.
Bolsonaro | Posições geopolíticas :
- Alinhamento com os EUA: Defende uma aproximação maior com os Estados Unidos, Israel e Argentina.
- Crítica aos BRICS: Critica a política do bloco de estimular o comércio sem o dólar e defende a entrada do Brasil na OCDE.
- Segurança e economia: Aposta em uma agenda de endurecimento no combate à criminalidade, com apoio de setores evangélicos e empresariais.
- Soberania “prática”: Afirma que a soberania se exerce “na prática” e não com “bravatas”, criticando a política externa de Lula em relação ao Irã, Venezuela e Israel.
Lula da Silva (PT) — O Sul Global e a Autonomia Estratégica
Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, busca um quarto mandato não consecutivo. Durante a campanha, brandiu a bandeira da soberania e pediu que o presidente americano Donald Trump não se “metesse” nas eleições brasileiras.
Lula | Posições geopolíticas:
- Fortalecimento do Sul Global: Seu plano de governo destaca a ampliação das relações com o Sul Global e a integração regional.
- BRICS e multilateralismo: Defende o fortalecimento dos BRICS e rejeita “alinhamentos automáticos” e a subordinação a interesses estrangeiros.
- Oposição a intervenções: Condena os ataques militares contra o Irã e a intervenção na Venezuela, defendendo o diálogo diplomático e o respeito ao direito internacional.
- Defesa nacional: Promete fortalecer a indústria de defesa nacional como parte de uma estratégia de proteção dos interesses brasileiros.
4. Importância da Eleição para a América do Sul e os BRICS
Esta eleição transcende as fronteiras brasileiras e é considerada pivotal para o futuro da América Latina e do bloco dos BRICS.
Para a América do Sul
O resultado do pleito poderá influenciar o equilíbrio de poder na região. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro fortaleceria a aproximação entre Brasil e Washington e poderia alterar o posicionamento brasileiro em relação à China e aos BRICS, além de reforçar a onda conservadora que já alcançou Argentina, Colômbia e Peru. O professor José Briceño Ruiz, da UNAM, afirmou que “a joia da coroa das eleições na América Latina este ano, para os Estados Unidos, é o Brasil”.
Por outro lado, uma vitória de Lula representaria a continuidade de uma agenda progressista e de integração regional, em um momento em que a direita avança em vários países vizinhos.
Para os BRICS
O Brasil é um membro fundador dos BRICS e tem desempenhado um papel central na articulação do bloco como voz do Sul Global. Uma mudança na presidência brasileira poderia ter consequências profundas:
- Cenário Flávio Bolsonaro: Especula-se que uma vitória da direita poderia levar o Brasil a rever sua participação nos BRICS, com foco em acordos mais pragmáticos de comércio e um distanciamento da China. O candidato já criticou a política do bloco de estimular o comércio sem o dólar.
- Cenário Lula: Manteria o Brasil como um dos principais articuladores do bloco, defendendo a multipolaridade, a reforma da governança global e a desdolarização do comércio internacional.
Analistas alertam que o resultado das urnas provocará “repercussões severas” na dinâmica de integração da América Latina e na consolidação do bloco dos BRICS.
5. Acompanhe a Contagem em Direto
No próximo domingo, 25 de outubro de 2026, o segundo turno decidirá quem governará o Brasil de 1.º de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2030.
Acompanhe aqui toda a contagem em direto no próprio dia. Não perca a decisão mais importante para o futuro do Brasil e da América do Sul que está nas mãos dos eleitores.







