câmara municipal da corunha em dia ensolarado

Corunha eliminará distinções franquistas das ruas

   Tempo de leitura: 2 minutos

Alterações deverão ser implementadas durante 2027.

Redação |

O Conselho da Memória Democrática da Câmara Municipal da Corunha decidiu finalmente alterar o nome das ruas que ainda homenageiam figuras do regime franquista. As alterações deverão ser implementadas durante o primeiro trimestre de 2027.

Foi também decidida a constituição de um grupo de trabalho para classificar vários locais como Lugares de Memória Democrática. Esta iniciativa visa salvaguardar a história coletiva em espaços e construções que foram palco de repressão e resistência, honrando a luta pela liberdade travada durante o período da guerra provocada pelo golpe de estado em 1936.

A lista integraria o Portinho, ponto histórico de fuga para muitos perseguidos políticos, que se uniria assim a outros locais emblemáticos como a Casa Cornide e a Torre de Hércules. A Comissão aprovou também uma homenagem oficial aos funcionários municipais da Corunha — um grupo de mais de cem pessoas — que sofreram represálias na sequência do golpe de Estado.

O relatório recomenda também a eliminação de homenagens a Peñamaría de Llano, figura central na aquisição irregular da Casa Cornide pelos Franco e repressor em Valdeorras. A lista inclui outros nomes influentes na história da cidade, como o antigo presidente da Câmara Alfonso Molina, o banqueiro Pedro Barrié e o jurista José Calvo Sotelo, cujas honras na toponímia local deverão ser revogadas.

O referido documento analisa 14 ruas dedicadas a personagens que tiveram uma relação direta com o franquismo e/ou com as autoridades franquistas, procurando localizar o maior número de dados possível para elaborar conclusões baseadas exclusivamente em provas documentais contrastadas e verídicas.

O estudo recomenda a retirada do nome da via pública e das possíveis honrarias adicionais concedidas pela autarquia a outras personalidades: Álvarez de Sotomayor, Benito Blanco-Rajoy, Diego Delicado, José Fariña, Ambrósio Feijoo, Eduardo Ozores, José Pérez-Ardá, António Ponte Anido, Enrique Salgado e Eduardo Sanjurjo.

Quanto aos retratos de autarcas que se encontram no edifício da Câmara Municipal, o relatório recomenda que sejam também retirados aqueles cujos nomes serão removidos das ruas. Sugere-se que estas obras, assim como as placas e monólitos em sua memória, sejam transferidas para um futuro museu da cidade.

O acordo do Conselho será levado a pleno a proposta de cumprimento da Lei de Memoria Democrática. A base está no relatório elaborado polo Instituto José Cornide – que o governo local recebeu em 2020 – e que sinalava os símbolos franquistas que ainda permanecen em diferentes espaços públicos da cidade.

Share