o eterno espectador desenho a cores do zé povinho a ver o circo

150 anos do Zé Povinho

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Redação |

O Museu Bordalo Pinheiro de Lisboa inaugura a exposição “Toma! 150 anos de Zés Povinhos”, uma retrospetiva que assinala o século e meio de vida da mais icónica figura da identidade nacional. Comissariada pelo designer Jorge Silva e pelo diretor do museu, João Alpuim Botelho, a mostra estará aberta ao público de 11 de fevereiro a 6 de setembro de 2026.

Criado por Rafael Bordalo Pinheiro a 12 de junho de 1875, nas páginas do jornal A Lanterna Mágica, o Zé Povinho transcendeu o papel de personagem satírica para se tornar a personificação do povo português. Segundo os curadores, o sucesso da figura não se explica apenas pela sua longevidade, mas pela sua extraordinária capacidade de adaptação.

Ao longo de 150 anos, o Zé Povinho saltou da caricatura política para os palcos de teatro, foi imortalizado na cerâmica popular através do famoso “manguito“, ilustrou cartazes de propaganda, selos e marcas comerciais, chegando mesmo a ser mascote da seleção nacional de futebol.

Reedição moderna dalgumas tirinhas de Bordalo sobre galegos

A exposição dedica também atenção ao génio multifacetado de Rafael Bordalo Pinheiro — precursor do cartaz artístico em Portugal, ceramista e desenhador — e à forma como este utilizava outras figuras sociais para definir o caráter do Zé Povinho.

Um dos contrastes mais marcantes na obra de Bordalo reside na figura do “galego“. Na Lisboa oitocentista, o termo designava a classe trabalhadora braçal — aguadeiros e moços de fretes — que o artista imortalizou com os seus típicos barris ao ombro e chapéus de abas. Enquanto o Zé Povinho é representado como o camponês oprimido mas manhoso, o galego de Bordalo surge como o trabalhador infatigável e robusto”, explicam os especialistas do museu.

Este contraste servia para evidenciar a identidade nacional: o galego era visto como o concorrente honesto e económico, servindo de contraponto à astúcia resignada do Zé Povinho perante a troça da burguesia lisboeta.