Instituição com sede em Bragança deveria estar concluída desde 2023. Atual executivo municipal, que assumiu funções em outubro, estuda agora opção de novo concurso.
Redação |
O futuro Museu da Língua Portuguesa, que está a ser erguido nos antigos silos da Empresa Pública de Abastecimento de Cereais em Bragança, enfrenta uma fase decisiva após sucessivos atrasos e um sobrecusto financeiro considerável.
Muito mais do que um espaço de exposição estática, o museu foi concebido como um centro cultural interativo e tecnológico. O objetivo é permitir que os visitantes explorem o idioma de forma imersiva. A missão central da instituição será a valorização das diversas variedades globais do português. O museu pretende ser um espaço de desconstrução de preconceitos linguísticos, combatendo a ideia rígida do “bom português” e celebrando a história e a riqueza da língua falada em diferentes continentes. Dada a sua localização estratégica, o projeto detém ainda um enorme potencial para toda a faixa atlântica galego-portuguesa.
Apesar da importância estratégica para o interior, o histórico da obra é complexo. Iniciada em 2021, a empreitada já deveria estar concluída desde 2023. No entanto, com a execução atualmente abaixo dos 30%, a nova presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, admitiu este mês a possibilidade de lançar um novo concurso público para garantir a continuidade dos trabalhos.
O atual executivo, que assumiu funções em outubro, está a realizar um levantamento técnico e financeiro. Além dos problemas estruturais e judiciais que marcaram os concursos anteriores, o orçamento sofreu um aumento drástico: o investimento inicial previsto de 9 milhões de euros disparou para os 16.
Apesar dos constrangimentos, a conclusão é vista como imperativa. Isabel Ferreira salientou que o projeto conta com financiamento do programa Norte 2030, o que obriga ao cumprimento de prazos para não perder os fundos atribuídos. Por esse motivo, a obra será inscrita no orçamento municipal deste ano.


