Quadro a óleo Adega do Galo, com pessoas a vomitar à porta da Adega e um galo por cima do rótulo

Polícia Judiciária à procura de obras valiosas de Dominguez Alvarez

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O autor teria adquirido a nacionalidade portuguesa na década de 1930 para fugir da Guerra na Espanha.

Redação |

Conhecido pela sua curta mas fulgurante carreira, o pintor José Dominguez Alvarez regressa ao centro das atenções após uma operação da Polícia Judiciária que teria recuperado obras de arte atribuídas ao autor.

O nome de José Dominguez Alvarez (1906-1942) voltou a ocupar as páginas da atualidade nacional, mas desta vez não apenas pelo seu génio artístico. Uma recente operação policial, que resultou na apreensão de diversas obras de arte, colocou novamente o foco sobre o pintor luso-galego, cuja herança permanece como uma das mais singulares do modernismo em Portugal.

De origem galega (Ponte Vedra) mas nascido no Porto, Alvarez viveu numa dualidade cultural que definiu a sua obra. Formado na Escola de Belas-Artes do Porto, o pintor nunca se deixou prender por um único estilo. A sua produção divide-se entre paisagens expressionistas, onde retratou as aldeias do Norte e da Galiza com cores fortes e uma melancolia profunda; visões oníricas de cenários quase surreais que pareciam antecipar uma angústia existencial e retratos onde explorou a identidade de forma crua e direta.

Alvarez morreu precocemente, aos 35 anos, vítima de tuberculose, deixando para trás uma obra que foi, durante muito tempo, ignorada pelos circuitos oficiais da época. Considerado um “pintor maldito” pela sua natureza introspectiva e pelo distanciamento dos salões mundanos, a sua importância só foi plenamente reconhecida décadas após a sua morte.

Hoje, é impossível falar da arte portuguesa do século XX sem mencionar a sua capacidade de captar a “alma” da paisagem a norte do Douro. A sua obra está representada em grandes instituições, como o Museu Nacional de Soares dos Reis e a Fundação Calouste Gulbenkian.

O recente interesse mediático surge na sequência de investigações sobre o mercado ilícito de arte. A recuperação de peças algumas que se presumem ser de sua autoria, sendo outras falsificações das suas obras, reforça não só o valor comercial que Alvarez atingiu no mercado contemporâneo, mas também a necessidade de proteger o património histórico e artístico de redes de contrafação e tráfico.