tratores a cortar o trânsito

Tratores paralisam centro de Ourense contra acordo UE-Mercosul

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Com a assinatura do tratado iminente, produtores temem consequências catastróficas. Bens importados não estariam sujeitos às mesmas exigências. Protesto já dura há sete dias.

Redação |

Cerca de 90 veículos agrícolas ocupam o centro da cidade galega há uma semana. Os produtores denunciam a “agonia” do mundo rural, a ameaça de concorrência desleal externa e o avanço devastador da Dermatose Nodular

O centro de Ourense permanece transformado num cenário de resistência agrícola. O que começou na passada segunda-feira, 29 de dezembro, como uma marcha de protesto, evoluiu para um cerco prolongado que já dura há sete dias. Aproximadamente 90 tratores, oriundos de diversos pontos da província, encontram-se estacionados frente à Subdelegação do Governo, num braço de ferro que promete não desmobilizar tão cedo.

A mobilização, convocada pela Associação do Setor Primário da Galiza, decorre sob o lema: “Estão a matar o mundo rural“. O principal foco de indignação dos agricultores e criadores de gado prende-se com o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul (bloco que integra o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Com a assinatura do tratado aparentemente iminente, os produtores temem consequências catastróficas.

Segundo a associação convocante, o acordo “expõe o setor a desafios sérios“, permitindo a entrada de produtos que competem de forma desleal com a produção local. A crítica é direta: enquanto os produtores europeus cumprem normas rigorosas de qualidade e segurança, os bens importados do Mercosul não estão sujeitos às mesmas exigências, inundando o mercado com produtos de menor custo e menor controlo regulamentar.

A somar à instabilidade económica, o setor enfrenta uma crise sanitária sem precedentes. A Associação alerta para o avanço descontrolado da Dermatose Nodular Contagiosa, uma doença viral que afeta o gado bovino e que está a ter “repercussões devastadoras“.

Classificada como uma doença de categoria A na União Europeia, o protocolo de contenção é implacável: perante a detecção de um único caso positivo numa exploração, as autoridades obrigam ao sacrifício de todos os animais. Os produtores denunciam a inexistência de um “plano de ação eficaz” por parte das autoridades competentes, sublinhando que esta falta de estratégia está a conduzir muitas explorações familiares à ruína total.

Os manifestantes garantem que os tratores permanecerão nas ruas de Ourense até surgirem respostas concretas que garantam a sobrevivência do setor primário face às ameaças externas e biológicas.

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