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A produção televisiva global, deixou em 2025 algumas obras que abordam com coragem temas de identidade, resistência e justiça social. Num panorama onde o streaming prioriza o algoritmo, surge uma seleção de seis produções que, segundo a plataforma Afroféminas, são obrigatórias para quem procura histórias que dão voz aos silenciados. Do humor político à animação épica de matriz africana, estas séries provam que o entretenimento pode ser a ferramenta mais poderosa de ativismo.
No topo das recomendações da Afroféminas surge a quinta temporada de Abbott Elementary (Disney+). Ambientada numa escola pública de Filadélfia, a série utiliza o formato de mockumentary (falso documentário) para denunciar as falhas estruturais do sistema educativo americano. Através de um elenco predominantemente negro, a produção equilibra o humor perspicaz com a celebração da resiliência dos professores que, perante a escassez de recursos, mantêm a dignidade e a educação das gerações futuras. É televisão que politiza através do afeto.
Num tom mais austero, a série catalã Pubertat (HBO/Movistar+) explora as águas turvas do consentimento e da sexualidade na adolescência. Trata-se de uma minissérie ambientada numa comunidade de castellers (construtores catalães de torres humanas), onde uma denúncia de agressão sexual nas redes sociais fragmenta a paz local. Ao focar-se nas perspetivas de pais, vítimas e acusados, a obra disseca como traumas e tabus são herdados, fugindo de maniqueísmos e oferecendo um retrato feminista e maduro sobre as nossas próprias certezas morais.
A experiência migratória ganha um rosto humano e vulnerável na segunda e última temporada de Mo (Netflix). A série encerra a jornada de Mo Najjar, um refugiado palestiniano em Houston. Nesta fase final, Mo encontra-se retido na fronteira mexicana, lutando para regressar a tempo de uma audiência crucial para o asilo da sua família. Navegando entre o humor afiado e o drama profundo, a produção é um lembrete necessário da humanidade de quem é sistematicamente desumanizado pelas políticas de imigração globais.
Por outro lado, a animação Iyanu (HBO/Cartoon Network) representa uma verdadeira revolução visual. Baseada na mitologia iorubá, a série narra a epopeia de uma jovem órfã com poderes divinos. Com um elenco de vozes inteiramente africano e banda sonora da estrela nigeriana Yemi Alade, Iyanu é a prova de que as histórias do continente africano não precisam de filtros ocidentais para conquistar o mundo.
A minissérie britânica Adolescence (Netflix), filmada em planos-sequência que criam uma tensão quase insuportável, investiga a radicalização misógina de adolescentes através da cultura incel (celibato involuntário). A trama desenrola-se a partir do assassinato de uma estudante por um rapaz de 13 anos. Com oito prémios Emmy, a produção tornou-se um debate de Estado no Reino Unido, levando o primeiro-ministro a recomendar a sua exibição em escolas para discutir masculinidade tóxica e responsabilidade coletiva.


