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A liberdade de expressão no mundo atingiu o seu nível mais baixo em décadas, registando uma queda histórica de 10% desde 2012. O alerta consta no novo relatório da Unesco, “Journalism: shaping a world at peace (jornalismo: moldando um mundo em paz – 2022-2025)”. O documento revela que o declínio não é apenas uma estatística política, mas uma crise de segurança que afeta diretamente a qualidade da informação consumida globalmente.
De acordo com os dados da ONU, a autocensura entre jornalistas cresceu 63% nos últimos anos. Profissionais de imprensa estão a silenciar-se perante o aumento de ameaças físicas e digitais. Esse fenómeno cria um “vácuo informativo” onde denúncias de corrupção e abusos de direitos humanos deixam de chegar ao público.
O relatório aponta que o assédio digital tornou-se uma ferramenta de repressão sistemática. Em 2025, cerca de 75% das mulheres jornalistas relataram ter sofrido violência online no exercício da profissão. A pressão é agravada por leis vagas de segurança nacional utilizadas por governos para punir críticas legítimas, tratando opiniões como armas de desestabilização.
O cenário de violência física também se agravou. Entre 2022 e 2025, o número de jornalistas mortos aumentou 67% em comparação com o quadriénio anterior. Só em 2025, foram registadas 91 mortes. Contudo, o dado que mais evidencia a fragilidade do sistema democrático é a taxa de impunidade, que permanece estagnada em 85%, significando que a vasta maioria dos crimes contra comunicadores não resulta em qualquer punição judicial.
Apesar do retrocesso, a Unesco identifica pontos de resiliência. O fortalecimento do jornalismo investigativo colaborativo e o crescimento de redes globais de checagem de factos têm servido como um contrapeso às campanhas de desinformação.
A ONU insta os Estados-membros a tratarem a proteção de jornalistas como uma prioridade de Estado. “A liberdade de expressão não é uma opção; é a condição para uma paz duradoura”, afirma o relatório. Sem transparência algorítmica e proteção legal efetiva para quem informa, o risco é de uma regressão democrática ainda mais profunda nos próximos anos.

