duas mulheres a falar num banco de cor azul ciano, à frente dum muro de pedra de granito. Entre elas uma grande fotografia num quadro

Documentário no Ferrol à procura de raízes luso-galaicas

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Redação |

A 8ª edição do Audiovisual Chanfaina Lab, realizada em São Sadurninho em 2024, deu à luz uma obra cinematográfica de calado identitário: “Resonancias“. A curta-metragem documental, com 15 minutos de duração, é uma produção da Chanfaina Lab que leva a assinatura da cineasta luso-galaica Diana Gonçalves (Tui-Valença do Minho, 1986) na produção, direção e guião.

O filme é uma exploração sobre a Lusofonia, a memória e a reconstrução histórica nas freguesias de São Sadurninho e Ferreira. Com a fotografia e montagem a cargo de Adriana Páramo, e a participação de Margarita Sánchez (historiadora) e Marica do Neiva, a curtametragem transforma um lugar desconhecido numa fonte de redescoberta pessoal e cultural.

O ponto de partida do projeto foi a chegada de Diana Gonçalves a um espaço que lhe era alheio, uma sensação que ela procurou superar intuitivamente. Como criadora habituada ao universo raiano, a cineasta necessitava de um fio para puxar e um elemento que ressoasse com a sua própria identidade para construir uma história.

A primeira “ressonância” surgiu ao ouvir falar dos portugueses que emigraram para trabalhar em São Sadurninho. Esta pista levou-a à segunda e decisiva revelação: ao investigar no arquivo local “Fala-me de São Sadurninho“, deparou-se com a fotografia do palco de música de Ferreira. Este palco transformou-se no elemento central da sua investigação, levando-a a formular uma hipótese: seriam estes homens portugueses os construtores da emblemática estrutura de Ferreira?

Resonancias” é um exercício de reconstrução que navega entre o facto e a ficção, reconhecendo que a história está sempre incompleta. A cineasta procurou unir os poucos fragmentos de informação de cada um dos protagonistas, aceitando que a imaginação é tão crucial quanto a memória. A historiadora Margarita Sánchez desempenhou um papel vital, conduzindo Diana até à descendente de um desses trabalhadores. Contudo, a falta de documentos e o esquecimento natural da história reforçam a tese central do filme.

Ao final desta jornada criativa, a cineasta luso-galaica, já conhecida por obras como o documentário “Mulheres da Raia” (2009) e a curta “Palmira” (2017), conseguiu desmaterializar a distância física, e ir ao encontro do outro, de si própria. “Resonancias é um exercício de escuta, de resposta, de transformação desejada” — afirma a cineasta, celebrando o poder da criação e da partilha.