Galegos declaram-se maioritariamente não crentes

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Redação |

Uma recente pesquisa de opinião publicada no Barómetro sobre religión y creencias en España, revelou que, na afiliação religiosa e crenças dos galegos, destacam o catolicismo como a maioria, mas com uma presença notável de não-crentes. Segundo o levantamento, 50% das pessoas declaram-se não crentes, divididas entre ateias —negam a existência de deus—, 19%; agnósticas —não negam a existência de deus, mas também não a descartam—, 16% e indiferentes e não-crentes 15% —sem crenças religiosas definidas—. Por sua parte, 45% das pessoas inquiridas declararam-se católicas e, seguidoras de outras confissões religiosas, não sabem e não respondem, 2% cada.

A pesquisa sobre os hábitos de prática religiosa revelou que uma fatia significativa da população raramente ou nunca participa em cerimónias religiosas. Questionados sobre a frequência com que assistem a cerimónias, os inquiridos apresentaram os seguintes resultados: nunca 44%, menos de uma vez por ano 23%, várias vezes por ano 14% e, uma vez por ano, 6%. Os dados demonstram que 67% dos inquiridos têm uma participação mínima ou nula em eventos religiosos, indicando a tendência de afastamento das práticas formais. A assistência regular é minoritária, sendo as percentagens as seguintes: uma vez por semana, 5%; uma vez por mês, mais ou menos, 4%; entre duas e três vezes por mês, 1% e, várias vezes por semana, 1%.

Sobre os fatores que dão muito ou bastante sentido à vida, a pesquisa revelou uma clara preferência por laços sociais e desenvolvimento pessoal, com a família e as amizades a destacarem-se como os elementos mais cruciais. A família surge no topo das prioridades para a grande maioria, sendo considerada um fator de sentido por 86% dos inquiridos e seguem-se as amizades, citadas por 81%. O foco no crescimento pessoal também se manifesta como essencial para 74% da população. Outros fatores também desempenham um papel relevante são trabalho, 57%; animais de estimação, 48%; ativismo social, 34%; religião ou espiritualidade, 23% e, contacto com a natureza, 20%.

É de notar que a religião ou espiritualidade é citada como um fator de sentido da vida por 23% da população, colocando-se abaixo de elementos como o trabalho e os animais de estimação. Já o contacto com a natureza, embora seja o fator menos citado nesta lista, ainda é relevante para um quinto dos inquiridos. Os resultados sublinham que, para a maioria, a plenitude da vida é encontrada primariamente nas relações interpessoais e no autoaperfeiçoamento.

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Sobre o tema da disciplina de religião nos centros educativos públicos, a pesquisa revela uma preferência maioritária pela laicidade. A posição é defendida por maioria, atingindo 57% das respostas. Apesar deste valor significativo, as outras opiniões e a indiferença dividem o restante, com destaque para a posição de neutralidade: para 18% dos inquiridos, o tema é indiferente. As opções que defendem a manutenção ou inclusão da disciplina, mesmo sob condições, reúnem apoios minoritários: só de religiões com maior presença, 9%; só da religião católica, 8%; só de religiões com maior presença, mas fora do horário escolar, 3% e só da religião católica, mas fora do horário escolar 1%. Completam os dados as percentagens de não sabe e não responde com 3% e 1% respetivamente. Os resultados sublinham, portanto, que a opinião dominante é de que o ensino religioso não deve fazer parte do currículo das escolas públicas.

Sobre o uso de símbolos religiosos pessoais em espaços públicos revelou uma divisão acentuada, com a maioria a defender a liberdade ou a regulamentação caso a caso. O grande consenso reside na ideia de que deve haver alguma forma de permissão para o uso destes símbolos, embora existam divergências sobre a extensão dessa liberdade: deveriam permitir-se em qualquer lugar público, 31%; dependendo do lugar e do contexto, 28%; na via pública, mas proibir-se em qualquer estabelecimento público, 11%; deveriam proibir-se em todos os lugares públicos, 14% e deveriam permitir-se em qualquer lugar público, exceto nos centros educativos, 5%.

Apesar de a permissão total em qualquer lugar público ser a opção mais votada individualmente (31%), a soma das respostas que advogam por algum tipo de regulamentação ou proibição ultrapassa essa percentagem, nomeadamente se somarmos os que dependem do contexto (28%) e os que querem a proibição total (14%). Os dados sublinham a complexidade do debate sobre a laicidade e a liberdade individual no espaço público.

Quando questionados sobre a presença de símbolos religiosos estáticos em locais públicos ou oficiais, as opiniões foram as seguintes: deveriam ser proibidos, 33%; deveriam ser mantidos, 15%; apenas deveriam ser mantidos aqueles símbolos que tenham um valor histórico/artístico, 23% e, declararam indiferença, 14%.

Questionados sobre os benefícios fiscais usufruídos pela igreja católica, o inquérito reflete os seguintes resultados: 67% julga que as entidades religiosas deveriam ter o mesmo regime fiscal que as restantes entidades; 49%, manifestam que deveriam ter o mesmo regime fiscal que as entidades sem fins lucrativos, de beneficência e de interesse geral; para 31%, deveriam receber subvenções públicas para o desenvolvimento de iniciativas educativas, sociais, culturais, etc. em igualdade de condições com outras entidades associativas e, 21% posiciona-se a favor de estarem isentas do pagamento de certos impostos (por exemplo, o imposto sobre bens imóveis, desde que os imóveis se destinem a um fim religioso).

Quanto à consignação à igreja católica do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), não estão de acordo e pensam que as religiões devem autofinanciar-se sem a colaboração do Estado, 60%. Estão de acordo com o sistema atual, 22% (a igreja católica recebe 0,7% do IRS dos contribuintes que assinalam a opção específica). Estariam de acordo se o 0,7% pudesse ser destinado também a outras religiões, 8% e, não estão de acordo com o sistema atual, mas poderiam estar com outras formas de colaboração económica estatal com as religiões, 5%. Em suma, a pesquisa revela uma forte preferência pela separação financeira entre o estado e as instituições religiosas e que o modelo atual de consignação do IRS não goza de amplo apoio na população.

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