pessoas deslocadas em moçambique a olhar para a câmara

Deslocados em Moçambique: ONU pede ajuda urgente

   Tempo de leitura: 2 minutos

Segundo uma atualização publicada nesta segunda-feira, a violência forçou quase 100 mil pessoas a fugir de suas casas nas últimas duas semanas.

Redação |

A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) manifestou profunda preocupação com a intensificação dos ataques armados a aldeias no norte de Moçambique, alertando para uma rápida escalada do conflito que atingiu distritos anteriormente seguros.

O conflito, que se iniciou na província de Cabo Delgado em 2017 e já deslocou mais de 1,3 milhão de pessoas, alastrou-se em 2025 para além de sua área habitual, chegando à província de Nampula e ameaçando comunidades de acolhimento de famílias deslocadas.

Pessoas que conseguiram chegar em segurança relataram ter fugido com medo, muitas vezes à noite, enquanto grupos armados invadiam suas aldeias, incendiavam casas e atacavam civis, forçando famílias a se deslocar sem nada. A fuga é descrita como caótica e marcada pela separação.

Muitos contaram que pais perderam seus filhos de vista e parentes idosos foram deixados para trás em meio ao pânico. Isadora Zoni, oficial de comunicação do Acnur em Moçambique, destacou que a maioria das pessoas nos centros de acolhimento é composta por crianças, além de existirem casos de pessoas com deficiência e crianças desacompanhadas.

A insegurança é acentuada pelo fato de muitos deixarem suas áreas de origem sem documentos civis ou acesso a serviços essenciais. A caminhada de dias em extremo medo, aliada à falta de rotas seguras e apoio básico, aumenta o risco de exploração e abuso para as famílias.

As mulheres e meninas são especialmente vulneráveis à violência sexual e de gênero devido à falta de iluminação e privacidade nos abrigos comunitários. Idosos e pessoas com deficiência enfrentam dificuldades significativas em locais que não são acessíveis nem equipados para atender às suas necessidades.

O Acnur alertou que os esforços coletivos de agentes humanitários e governamentais continuam insuficientes para atender à vasta escala de proteção e assistência necessária.

O Acnur estima precisar de 38,2 milhões de euros para 2026, com base nas crescentes necessidades de proteção. Em 2025 a agência recebeu apenas 50% do orçamento necessário para responder às necessidades no norte de Moçambique.

Em parceria com autoridades locais, a agência tem se mobilizado para oferecer serviços cruciais como aconselhamento e apoio em saúde mental, distribuição de kits de dignidade, entrega de dispositivos de mobilidade e auxílio na substituição de documentos civis perdidos.