momento em que abrem a caixa de transporte duma das esculturas de 800 anos

Compostela recupera esculturas do Mestre Mateu

   Tempo de leitura: 2 minutos

Finaliza assim a batalha legal que obrigou à família Franco a devolver as peças de 800 anos de antiguidade.

Redação |

As esculturas românicas de Abraão e Isaac atribuídas à oficina do Mestre Mateu, e que estiveram em poder da família do ditador Francisco Franco por mais de 70 anos, voltaram finalmente ao património municipal, pondo fim a uma emblemática batalha judicial.

A restituição das esculturas, que pertenceram à desaparecida fachada ocidental da Catedral, deu-se após a condenação em junho de 2025 pelo Tribunal Supremo, que estimou o recurso do Câmara de Santiago.

A batalha legal para a recuperação, foi iniciada em 2017 durante o mandato do nacionalista Martiño Noriega, continuada pelo socialista Sánchez Bugallo, e culminada sob a presidência da nacionalista Goretti Sanmartín, num consenso político e social alargado na Galiza.

Devido à importância patrimonial e artística das esculturas que integram o conjunto de nove estatuas do Mestre Mateu, foram declaradas Bem de Interesse Cultural pela Junta da Galiza.

A sua importância foi sublinhada também pelo Conselho da Cultura Galega, que em 2019 emitiu um relatório favorável à sua proteção máxima. O Concelho de Santiago adquiriu as esculturas em 1948 ao Conde de Ximonde com a condição de que não abandonassem a cidade.

Em 1954, durante uma visita ao Paço de Raxoi, a família Franco manifestou interesse pelas estátuas. Devido à submissão política ao regime, o autarca de Compostela decidiu entregar as peças a Francisco Franco por via de facto.

Esta transferência foi uma doação ilegal, realizada para agradar a esposa do ditador, sem o necessário acordo plenário ou qualquer documento legal que a formalizasse. As figuras de Abraão e Isaac serão depositadas e expostas ao público no Museu do Povo Galego a partir do dia 11 de dezembro, servindo como sede provisória para a sua celebração e estudo.

O regresso destas obras de arte, é visto como uma vitória do conjunto da sociedade galega e foram recebidas com grande emoção e um profundo sentido de justiça histórica.

O Mestre Mateu destacou-se como um notável arquiteto e escultor. Desenvolveu a sua atividade principal na construção e finalização da Catedral de Santiago de Compostela, num período compreendido aproximadamente entre os anos de 1168 e 1211.

A relevância do seu trabalho teve uma profunda influência não só no Reino da Galiza mas também em reinos vizinhos. A sua obra-prima é o célebre Pórtico da Glória, elemento emblemático da Catedral de Compostela.