Redação |
A República da Guiné-Bissau acordou sob um novo regime após o Alto Comando Militar para Restauração de Segurança Nacional e Ordem Pública ter anunciado, esta terça-feira, a assunção da plenitude dos poderes do Estado.
Os militares alegaram ter agido em reação a uma conspiração que envolveria “alguns políticos nacionais“, a participação de “conhecidos barões de drogas nacionais e estrangeiros“, e uma tentativa de “manipulação de resultados eleitorais“.
O serviço de informação do estado terá, alegadamente, descoberto um “depósito de armamento de guerra” relacionado com este plano.
Para “esclarecer e repor as condições para pleno retorno à normalidade constitucional“, o Alto Comando Militar determinou uma série de medidas com efeito imediato, suspendendo de facto a ordem democrática.
Entre as medidas impostas estão a demissão do Presidente da República, o encerramento de todas as instituições da República e a suspensão das atividades de todos os órgãos de comunicação social.
Mas não só, os militares também impuseram a suspensão do processo eleitoral, o encerramento das fronteiras e o estabelecimento de recolher obrigatório das 21h00 às 6h00 da manhã.
O golpe de Estado mereceu condenação e profunda preocupação por parte de vários setores da sociedade civil e política do país, conforme noticiado pelo jornal O Democrata GB.
A interrupção do processo eleitoral foi particularmente deplorada como um atentado à vontade popular. Várias organizações e observadores eleitorais lamentaram que a ação militar tenha ocorrido num momento crucial, quando as missões internacionais tinham acabado de concluir encontros com os principais candidatos, que garantiram a aceitação dos resultados apurados.
A coligação Pai-Terra Ranka denunciou o golpe e exigiu a libertação dos detidos, apelando à comunidade internacional para que acompanhe de perto a situação e ajude a encontrar uma solução pacífica.
Também os bispos da Igreja Católica manifestaram-se, pedindo às autoridades militares o respeito pelas vidas humanas e pelas normas democráticas.
A condenação estendeu-se ao nível regional: a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental condenou o golpe e exigiu a retoma imediata do processo eleitoral, reafirmando o seu compromisso com a defesa das aspirações democráticas dos guineenses.

