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No Dia Europeu do Antibiótico, os dados divulgados pelo INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, revelam uma tendência preocupante para a saúde pública portuguesa: o consumo global de antibióticos registou um aumento de 8% entre 2019 e 2024, um ritmo quatro vezes superior à média de 2% observada nos restantes países da União Europeia.
Este crescimento acelerado é um sinal de alarme que questiona a eficácia das políticas de consciencialização sobre o uso racional de medicamentos, sendo que, os dados preliminares para o primeiro semestre de 2024 confirmam a manutenção desta tendência ascendente, com o consumo em ambulatório a fixar-se em 20,5 doses diárias definidas por mil habitantes por dia.
O excesso de consumo é a principal via para o desenvolvimento de bactérias resistentes, a que a Organização Mundial da Saúde já chamou uma “pandemia silenciosa“. A persistência deste comportamento coloca em risco a capacidade do Serviço Nacional de Saúde tratar infeções comuns no futuro, transformando procedimentos rotineiros em cenários de alto risco.
Apesar de o INFARMED e a Direção-Geral da Saúde estarem a promover o Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências a Antimicrobianos, os números mostram que as campanhas de sensibilização e os mecanismos de vigilância, como a rede ESAC-Net (European Surveillance of Antimicrobial Consumption Network), do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, estão a falhar na missão de controlar a dispensa e o consumo.
A recomendação do Conselho Europeu sobre as ações para combater a resistência aos antimicrobianos, define a meta de reduzir até 2030, em 20 % o consumo total de antibióticos na União, sendo que Portugal deve atingir, em 2030, uma redução do consumo total de antibióticos de 9% face a 2019 .
De acordo com os dados divulgados pelo INFARMED para Portugal e pelo Plano Nacional Contra a Resistência aos Antibióticos para a Galiza, as taxas de consumo extra-hospitalar diário definidas por mil habitantes e dia, são de 20.5 (1º semestre de 2024) e 24.04 (2023) respetivamente.

