autor numa entrevista sentado em cadeirão

Pesar pela morte de António Borges Coelho

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Redação |

O mundo académico, cultural e político português está de luto pela morte do historiador, poeta e catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, António Borges Coelho, que faleceu na sexta-feira, dia 17 de outubro de 2025, aos 97 anos.

A morte de Borges Coelho, distinto intelectual e figura notável pela sua ética e solidariedade e o seu empenho em causas sociais e na luta pela liberdade, a emancipação e pela construção de uma sociedade mais justa, democrática e progressista, deixa um vazio significativo.

Nascido em Murça, Vila Real, em 1928, Borges Coelho deixa um legado multifacetado que combina a investigação histórica com uma intensa e inabalável intervenção cívica contra o Estado Novo. A sua vida foi marcada pela militância antifascista tendo sido condenado a dois anos e nove meses de prisão, mas acabou por cumprir seis anos e meio – entre 1956 e 1962 – na prisão do Aljube, no Forte de Peniche, por ser funcionário do Partido Comunista Português na clandestinidade.

Como historiador, Borges Coelho dedicou-se ao período medieval e à chamada época da expansão. Entre as suas obras mais influentes, destaca-se o livro As Raízes da Expansão Portuguesa (1964), que tinha iniciado no Forte de Peniche e que foi apreendido das livrarias e o levou a ser submetido a novos interrogatórios pela PIDE; A Inquisição em Évora, produto da sua tese de doutoramento; Portugal na Espanha Árabe, uma compilação de textos árabes sobre a ocupação muçulmana daquilo que viria a ser o território de Portugal, e a monumental série História de Portugal, concluída recentemente com o volume VII, Portugal na Europa das Luzes (2022).

Além da história, Borges Coelho foi jornalista a partir de 1968, sendo um dos fundadores de A Capital e colaborador com o Diário de Lisboa, o Diário Popular e com as revistas Seara Nova e Vértice.

Destacou-se também como poeta e teatrólogo e escreveu Roseira Verde (1962), Ponte Submersa (1964), No Mar Oceano (1981) e Príncipe Perfeito (1991).

Em 2018, foi agraciado pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e foi-lhe atribuída pelo Governo em 2019 a Medalha de Mérito Cultural. Foi também premiado com o Prémio Universidade de Lisboa em 2018 e, em 2023, galardoado com o Prémio Rodrigues Sampaio pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras dos Porto.