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Ana Paula Tavares vence Prémio Camões 2025

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Redação |

<<Com a dicção do seu lirismo, sem concessões evasivas, e com os livres compromissos da produção em crónica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares adquire também uma relevante dimensão antropológica em perspetiva histórica.>> sublinhou  o júri. 

O júri do Prémio Camões 2025 constituído por Ana Mafalda Leite e José Carlos Seabra Pereira (Portugal), Francisco Noa (Moçambique), Arno Wehling e Maria Lucia Santaella Braga (Brasil) e Lopito Feijóo (Angola), decidiu atribuir o galardão da 37ª edição à escritora angolana Ana Paula Tavares, distinguindo “a sua fecunda e coerente trajetória de criação estética e, em especial, o seu resgate da dignidade da poesia”. 

Ana Paula Tavares nasceu no ano 1952 no Lubango, na província angolana de Huíla. É Doutorada em Antropologia da História, Mestre em Literatura Brasileira e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Bacharel e Licenciada em História. Atualmente, reside em Portugal e leciona na Universidade Católica de Lisboa.

Trabalhou sempre na área da cultura, museologia, etnologia, arqueologia, património, cultura e animação cultural. Foi Delegada da Cultura no Kwanza Norte e responsável pelo Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica em Luanda e membro de organizações culturais como a Associação Angolana do Ambiente, os comités angolanos do Conselho Internacional de Museus e do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios e da Comissão Angolana para a UNESCO. Tem colaborado como investigadora convidada do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa e com o Arquivo Histórico Nacional de Angola.

Ana Paula Tavares é uma das vozes que desde sempre tem manifestado uma grande preocupação com a condição da mulher em Angola e, a sua poética, é transmissora da denúncia, afirmação e de libertação da carga tradicional opressora da mulher africana.

Ao Prémio Camões 2025 juntam-se o Prémio Mário António de Poesia atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian com o livro Dizes-me coisas amargas como os frutos (2004) e Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola pelo livro Manual para amantes desesperados (2007).

Entre a sua obra poética destacam-se os livros Ritos de passagem, O lago da lua, Dizes-me coisas amargas como os frutos e Ex-Votos e, no que diz respeito à sua obra em prosa, O sangue da buganvília.

O Prémio Camões,, é o maior prémio de prestígio da língua portuguesa. Com a sua atribuição, é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa.

Instituído por Portugal e pelo Brasil no ano 1989, nas 37 edições do Prémio Camões foi já atribuído a oito escritores africanos, a saber, José Craveirinha (Moçambique), Pepetela (Angola), Luandino Vieira – recusado (Angola), Arménio Vieira (Cabo Verde), Mia Couto (Moçambique), Germano Almeida (Cabo Verde), Paulina Chiziane (Moçambique) e Ana Paula Tavares (Angola).