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Coração Silenciado, associação de vítimas de abuso na Igreja, critica métodos de intimidação do Grupo Vita

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Redação |

Um dia depois de a Conferência Episcopal Portuguesa ter anunciado que validou 77 dos 84 pedidos de compensação financeira recebidos e que a comissão de fixação de compensações vai entrar em funcionamento neste mês de setembro, o porta-voz da associação de vítimas de abuso na Igreja, Coração Silenciado, António Grosso, criticou os métodos de “intimidação e intromissão” do Grupo Vita no processo de averiguação às vítimas de abuso sexual por membros da igreja católica.

O porta-voz da associação de Vítimas e Sobreviventes de Abuso na Igreja Católica Portuguesa criticou que, de janeiro a julho, houve um processo de revitimização por parte do Grupo Vita, um grupo apresentado pela igreja católica em abril de 2023, criado para o acompanhamento das situações de abuso sexual de crianças e adultos vulneráveis, na sequência das investigações da Comissão Independente,

Em conferência de imprensa em frente à Assembleia da República, Grosso, centrou as suas críticas na opacidade do processo de averiguação dos crimes e nas condições de “intimidação e intromissão” das entrevistas às vítimas e responsabilizou o Estado pela falta de acompanhamentos dos menores, criticando a existência de prescrição dos crimes de abuso sexual.

O porta-voz de Coração Silenciado denunciou que “o que é mais condenável é a revitimização” e que “houve perguntas muito abusivas, sobretudo para as vítimas mulheres”, considerando que durante as entrevistas conduzidas pela comissão da Igreja que está a avaliar os relatos das vítimas, as pessoas foram “apertadas e espremidas para testar a verosimilhança” dos seus relatos.

Para além da crítica à forma intrusiva como foram feitas as entrevistas, António Grosso criticou que o estado mantenha, no ordenamento jurídico, a figura da prescrição para estes crimes e declarou que “a lei diz que a partir de determinado momento, os abusadores podem ser inocentados, isto é um atentado, é uma provocação, é absurdo e ridículo porque quanto a vítima finalmente quebra o silêncio e vai acusar o abusador, o abusador já está abençoado pela lei, já prescreveu o seu crime, o que não faz sentido absolutamente nenhum”.

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