Imagem da assembleia da ONU com Lula a ser reproduzido em dois ecrãs enquanto está a falar

Lula na ONU: “Única guerra de que todos podem sair vencedores é contra a fome e a pobreza”

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Redação |

Na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, o presidente do Brasil Lula da Silva ratificou a inegociabilidade da soberania do Brasil e posicionou-se na defesa dos valores democráticos, do multilateralismo, do desenvolvimento sustentável, do combate à mudança do clima e da necessidade de o mundo se unir em prol da paz e do combate à pobreza.

Lula assinalou que “No mundo, há 670 milhões de pessoas famintas. A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza. Esse é o objetivo da Aliança Global que lançamos no G20, que já conta com o apoio de 103 países” e alertou que a pobreza é também campo fértil para os que tentam abalar os valores democráticos. “Seu vigor pressupõe a redução de desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde. A democracia falha quando mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros. Perde quando fecha portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo. A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo”. O presidente Lula afirmou também que existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento das democracias.

No seu discurso, Lula declarou que é essencial que o mundo reduza gastos em guerras, amplie o apoio à inclusão social, alivie o pagamento do serviço da dívida externa de países mais pobres e que sejam redefinidos os padrões de tributação global para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores.

Ao referir-se à América, Lula afirmou que o combate ao crime organizado deveria passar pela cooperação e pediu que o diálogo prevaleça nas questões ligadas à Venezuela, além de se posicionar contrário à classificação de Cuba como um país que patrocina o terrorismo e a favor do Haiti ter direito a um futuro livre de violência.

Sobre o genocídio que está a ser perpetrado por Israel, o presidente da Silva afirmou que “O povo palestino corre o risco de desaparecer. Só sobreviverá com um estado independente e integrado à comunidade internacional. Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU, reafirmada ontem, aqui neste mesmo plenário, mas obstruída por um único veto. Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo”. Lula ainda criticou e lamentou que “o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico”.

Em relação à guerra na Ucrânia, Lula disse que “todos já sabemos que não haverá solução militar. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista. Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes”.

Ao concluir o discurso, Lula lembrou o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o Papa Francisco, e afirmou que se ambos estivessem aqui, teriam defendido que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis.

Lula concluiu que os únicos derrotados são os que cruzam os braços, resignados, que o mundo pode vencer os falsos profetas e oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio e que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo.