beliches num albergue

Financiamento público de albergues do Caminho de Santiago ultrapassa 70%

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Redação |

O Conselho de Contas – instituição integrada no Parlamento da Galiza para o controlo externo da atividade económica e financeira do setor público – realizou uma auditoria operacional à Sociedade Anónima Gestão do Plano Jacobeu centrada na gestão da rede pública de albergues do Caminho de Santiago.

De acordo com o relatório do Conselho de Contas da Galiza, a Sociedade publica informação financeira útil, mas existem lacunas na divulgação de informação sobre o pessoal, a gestão e a qualidade do serviço mas alerta que o critério contabilístico para registar as subvenções sobrevaloriza os resultados da sociedade.

Quanto ao equilíbrio económico da Sociedade, o relatório incide em que “a dependência do financiamento público da sociedade ultrapassa 70%, uma vez que o custo médio por estadia é superior ao preço cobrado ao peregrino (10 €)”.

No parecer do Conselho, “o modelo de abertura 365 dias por ano gera custos elevados e baixa ocupação (21% de média em 2023)” sendo ampla a variabilidade da ocupação e de custo por albergue com valores entre de 68% e de 1%. A exposição do Conselho também evidencia que “os albergues com menor nível de ocupação correspondem a caminhos e variantes com menor afluência de peregrinos, mas também com instalações que se localizam no meio das etapas e/ou que têm uma procura testemunhal“ que evidenciam deficiências no planeamento da dimensão e distribuição da rede pública”.

Além do grau de ocupação, ineficiências na configuração da atividade e no funcionamento, situam os custos de prestação acima do preço pago pelos peregrinos e, mesmo, dos preços de mercado da oferta privada.

A evolução é negativa, uma vez que, paradoxalmente, enquanto o número de peregrinos cresceu de forma sustentada, o número dos que optam por se alojar na rede pública de albergues diminuiu  progressivamente.

Com base nestes resultados, o Conselho de Contas recomenda, reforçar o controlo interno, melhorar a transparência em matéria de pessoal e gestão, rever o critério contabilístico de registo das subvenções, otimizar a gestão ajustando a oferta e explorando modelos de gestão mais ligados ao território, implementar sistemas de avaliação da qualidade e promover a rede pública para aumentar a procura.