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O rio Douro está a consolidar-se como um eixo estratégico de transporte e turismo, com projetos ambiciosos que visam otimizar e expandir a sua navegabilidade Hoje em dia, uma frota diversificada transporta, anualmente, mais de um milhão de passageiros.
Ao mesmo tempo está-se a investigar e a trabalhar sobre o regresso do tráfego comercial e a implementação de um transporte público fluvial através de um dos quatro laboratórios vivos que está a implementar a ReNEW – Resilience-centric Smart, Green, Networked EU Inland Waterways.
A ReNEW é uma iniciativa financiada pela UE que representa um grupo multidisciplinar que reúne investigadores de universidades, institutos de investigação, organizações públicas e empresas de onze países da União que trabalha para o apoio à transição do transporte por vias navegáveis interiores para um setor inteligente, verde, sustentável e resiliente ao clima.
A rede europeia de vias navegáveis interiores estende-se por cerca de 41 mil quilómetros e transporta anualmente cerca de 550 milhões de toneladas de carga. Com mais de 16.000 embarcações, o transporte por vias navegáveis interiores desempenha um papel fundamental no transporte de mercadorias, no comércio transfronteiriço e no turismo de cruzeiros, cuja popularidade está a aumentar em muitas partes da Europa.
Dados da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) revelam que, em 2024, a Via Navegável do Douro registou um aumento de 10,64% no número de passageiros, atingindo um total de 1.377.858.
Apesar da predominância do turismo, o futuro do Douro passa também por reforçar a sua vocação como via de transporte de mercadorias. O projeto “Douro’s Inland Waterway 2020”, coordenado pela APDL e apoiado pela União Europeia, teve como objetivo melhorar as condições de segurança e a eficiência da navegação. O projeto visou a modernização de serviços de informação fluvial e a reabilitação de infraestruturas, preparando o rio para um potencial aumento de tráfego.
A mobilidade urbana também se volta para o rio. Projetos-piloto, como a travessia fluvial entre o Cais do Ouro, no Porto, e a Afurada, em Gaia, demonstram a viabilidade de uma ligação mais rápida e eficiente entre as margens, que pode ser integrada com o sistema de transportes públicos, incluindo o Andante, um cartão de transporte público da Área Metropolitana do Porto que facilita o acesso integrado ao metro, autocarro e comboio.
A ideia de um transporte fluvial público entre Porto, Gaia e até Gondomar ganha força, com estudos em curso para avaliar a sua procura potencial e a criação de uma alternativa sustentável ao trânsito rodoviário.

