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A 16ª etapa da “Vuelta” a Espanha teve uma neutralização na tarde desta terça-feira quando um numeroso grupo de ativistas a favor da Palestina bloqueou a estrada principal em Mos, nos arredores de Vigo, obrigando a organização a suspender a corrida 8 km antes da meta.
Como em anteriores etapas da “Vuelta”, o alvo dos manifestantes foi a equipa Israel Premier Tech, cuja participação na corrida está a ser duramente criticada por amplos setores sociais que denunciam os crimes cometidos contra o povo palestiniano e acusam a equipa de estar ao serviço do branqueamento do estado genocida de Israel.
Ao longo de toda a etapa, produziram-se protestos de manifestantes com bandeiras da Palestina e faixas contra o genocídio e houve concentrações em Ponte da Barca, Ponte Vedra, Pierres (Arcade), Alto da Groba (Baiona), Tui, a Ramalhosa (Nigrám) e, especialmente, no alto de São Cosme, onde se encontrava a meta.
Numerosos agentes policiais e a equipa de segurança da “Vuelta” tentaram impedir as ações de desobediência civil mas não conseguiram que os ativistas se concentrassem no ponto final da etapa e impedissem a finalização da mesma como já tinha acontecido em Bilbau.
O ciclista dinamarquês e líder da corrida, Jonas Vinegaard, mostrou na segunda-feira a sua compreensão pelos protestos contra o genocídio: “As pessoas fazem-no por uma razão, porque o que está a acontecer é terrível”, declarou no dia de descanso em Vigo. Vinegaard argumentou que “aqueles que protestam fazem isso aqui porque precisam de um fórum onde possam ser ouvidos. Eles precisam que os meios de comunicação lhes deem espaço e a possibilidade de serem ouvidos, e é por isso que fazem isso aqui”. Também acrescentou que “É claro que, até certo ponto, é uma pena que isso esteja acontecendo especificamente aqui. Acho que é isso que muitos dos corredores pensam, mas, novamente, acho que eles estão desesperados para serem ouvidos”.
As terras de Valdeorras acolhem hoje a partida da Galiza da “Vuelta a España”, com a preocupação da organização pelo que possa acontecer nas próximas etapas. Esta preocupação é ainda maior pelo que possa acontecer na etapa final da competição na capital do reino no próximo domingo, nomeadamente pela repercussão mediática internacional e a través das redes sociais. Prevê-se que o ativismo pró-Palestina manifestará a sua máxima solidariedade, encorajado pelas contínuas manifestações de desobediência civil que têm ocorrido desde o início da prova e que não têm feito mais do que aumentar dia após dia.


