Partindo de Braga, a Estrada Nacional 103 ziguezagueia até Bragança, numa jornada que leva através de paisagens poderosas, vilas pitorescas e um variado mosaico cultural. É possível percorrer os mais de 250 quilómetros num só dia mas o mínimo dos mínimos para percorrer a estrada na totalidade, são 3 dias.
Este percurso funciona como um roteiro pela raia seca, permitindo conhecer o Minho, Trás-os-Montes e a paisagem montanhosa de Ourense que se avista ao longo do trajeto. Olhando para o mapa, a estrada parece quase uma linha reta mas na verdade, é uma sucessão quase contínua de curvas e contracurvas.
A N103 estende-se por 263 quilómetros, e liga o litoral minhoto ao interior trasmontano, da localidade de Neiva, em Viana do Castelo, até à cidade de Bragança, passando pelos municípios de Barcelos, Esposende, Braga, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Montalegre, Boticas, Chaves, Valpaços e Vinhais.
Os locais de visita obrigatória em Braga são a Sé, a escadaria do Santuário do Bom Jesus do Monte e o seu Elevador, o Santuário de N. S. do Sameiro, o Arco da Porta Nova, a Rua do Souto, o Largo do Paço, o Paço Episcopal, o Chafariz dos Castelos, a Praça da República e a Fonte do Ídolo.
O cenário urbano de Braga dá lugar a campos verdes e montanhas antecipando a imersão na natureza, rumando até à Póvoa de Lanhoso onde pode visitar o castro e usufruir de um percurso interpretativo sobre a cultura castreja galaica.
A próxima paragem pode ser na aldeia de Fafião. Os locais de visita incontornável são o Fojo do Lobo (ancestral armadilha para dar caça aos lobos), os miradouros do Lobo e de Fafião e o Poço Verde. Ainda na freguesia de Cabril, no município de Montalegre, o próximo destino pode ser a Cascata de Pincães.
Na aldeia Pitões das Júnias, a 1100 metros de altitude, com casas de granito e telhados a fumegar, é imperativo visitar as ruínas do Mosteiro de Santa Maria e a Cascata, a dois quilómetros do povoado.
A seguinte paragem é em Montalegre, a capital do Barroso. As montanhas são já mais íngremes e a vegetação mais densa. Desde o Castelo de Montalegre pode desfrutar de umas boas vistas panorâmicas sobre a paisagem circundante. Também por visitar as igrejas do Castelo e da Misericórdia, o Pelourinho, os Paços do Concelho, o Ecomuseu do Barroso e o Miradouro da Corujeira.
Vilarinho de Negrões estende-se ao longo duma península formada pela albufeira da barragem do Alto Rabagão rodeada de serras revestidas de penedos. Em Vilarinho pode visitar lavadouros e bebedouros de animais, fornos, fontes, alminhas, um relógio de sol e ainda canastros (espigueiros).
Continuando para leste, a estrada entra no planalto do Barroso. As aldeias, com casas de xisto e granito, integram-se harmoniosamente na paisagem. É um convite para desacelerar e apreciar o ritmo de vida tranquilo e o espírito comunitário. A gastronomia local é imperdível, destacando-se o cabrito e a melhor carne de vitela da raça barrosã.
Serpenteando por vales profundos e subindo encostas abruptas chega-se a Boticas. A paisagem começa a ganhar uma nova dimensão com a transição para a região de Trás-os-Montes: a natureza torna-se mais agreste e a presença humana mais esparsa. Cada curva revela uma nova surpresa, seja um campo de oliveiras, um vale encaixado ou um pequeno povoado com uma igreja centenária.
No Barroso, pode rumar até ao Castro de Carvalhelhos ou Castelo dos Mouros, a quase 900 metros de altura, com o rio Beça a correr a seus pés. O Beça atravessa o Boticas Parque com 60 hectares. Outros pontos de interesse de Boticas são o Repositório Histórico do Vinho dos Mortos, o Centro de Artes Nadir Afonso, a réplica em granito maciço da escultura do guerreiro galaico, o edifício do antigo Concelho, o Convento da Granja, a igreja paroquial e o Parque de Lazer do Ribeiro do Fontão.
Uma paragem em Chaves dá para ver as três caraterísticas indeléveis que a moldaram: a colonização romana, a riqueza termal e a idiosincrasia raiana compartilhada com a vila galega de Verim com quem conforma a EuroCidade que leva o nome de ambas.
Os locais de visita a não perder em Chaves são a Ponte de Trajano, o Castelo, a Praça de Camões, as igrejas Matriz e da Misericórdia, os Paços do Concelho, o Museu da Região Flaviense, o Jardim do Tabolado, o rio Tâmega, as Termas, o Forte de São Francisco e o Bairro da Madalena.
A viagem prossegue pelo coração de Trás-os-Montes, com a N103 a servir de acesso a outro santuário natural, o Parque Natural de Montesinho, no município de Vinhais, conhecido como a Capital do Fumeiro, revela a riqueza dos produtos próprios e das tradições do nordeste transmontano. Em Vinhais pode visitar o Castelo, a Igreja de São Facundo, o Convento e Igreja de São Francisco e Ordem Terceira, o Parque Biológico de Vinhais, o Solar dos Condes e o Solar da Corujeira.
A última etapa da N103 leva-nos a Bragança. O seu ponto central é o Castelo, uma imponente fortaleza medieval que domina a paisagem. Dentro das muralhas, a Cidadela é um labirinto de ruas de pedra e casas tradicionais. O Museu Ibérico da Máscara e do Traje é uma visita obrigatória. Também vale a pena visitar as igrejas de Santa Maria e São Vicente, o Domus Municipalis, a Rua dos Museus na qual encontra cinco museus, nomeadamente o Museu do Abade de Baçal, o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, o Centro de Fotografia Georges Dussaud, o Memorial e Centro de Documentação Bragança Sefardita e o Centro de Interpretação da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano. São também de interesse o Corredor Verde, com caminhos pedonais e passadiços sobre o Rio Fervença, o Centro de Ciência Viva de Bragança, a Casa da Seda, o miradouro da Capela de N. S. da Piedade e o Parque Urbano.
A cidade também é conhecida pela sua gastronomia, com destaque para a alheira de Mirandela e a posta à mirandesa.


