Redação |
Operação transporta 120 mil passageiros/ano entre estudantes, trabalhadores, turistas e peregrinos
A ligação ferroviária Comboio Celta, que une as cidades do Porto e Vigo, está a ser alvo de crescentes críticas após a implementação de um transbordo obrigatório em Viana do Castelo. A medida imposta pelas operadoras CP (Comboios de Portugal) e RENFE (Red Nacional de los Ferrocarriles Españoles) tem levantado sérias dúvidas sobre a fiabilidade e o futuro da conexão.
A justificação avançada pelas empresas aponta para questões técnicas e de manutenção da linha. A grande questão que se coloca é até quando esta situação se irá prolongar e quais as verdadeiras intenções. Existe um receio generalizado de que esta medida provisória se torne permanente, ou que, no pior dos cenários, leve a uma gradual desativação do serviço.
A questão escalou rapidamente para a arena pública e política. Associações de utentes e autarcas já manifestaram a sua preocupação e exigem explicações e soluções urgentes às operadoras.
A situação provocada tem sido classificada como uma “traição” e “má gestão” pelo Eixo Atlântico, organização que reúne 38 autarquias do Norte de Portugal e da Galiza.
O PCP exigiu explicações aos Ministérios das Infraestruturas e do Ambiente e à Comboios de Portugal classificando a situação como “inadmissível” e um “desinvestimento” na ferrovia. Também o Livre questionou o Governo Português sobre a interrupção da ligação.
Pela sua parte, o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto, Sérgio Aires, acusou a CP de desinvestir no Comboio Celta. Também o candidato independente, Filipe Araújo, acusou a CP de desinvestimento e desinteresse na ligação, uma “ligação estratégica para o Porto e para a região Norte”. O candidato do PSP Manuel Pizarro criticou a decisão tomada “às escondidas”, sublinhando a falta de diálogo e transparência por parte das operadoras e entidades envolvidas.
O Presidente do Governo galego Alfonso Rueda intensificou as suas reivindicações ao governo espanhol no sentido de a Galiza vir a assumir mais competências ferroviárias, exigência que se insere numa estratégia mais ampla de reforço do autogoverno galego. A sua visão para as infraestruturas de transporte inclui explicitamente a melhoria das conexões ferroviárias, especialmente com Portugal, conforme manifestado em reuniões anteriores com o Presidente do Governo espanhol em setembro de 2024.

