Redação |
Centenas de pessoas manifestaram-se no passado domingo em Ferrol em solidariedade com um ativista galego, Bruno Lopes. O militante dos movimentos sociais e da solidariedade com a Palestina está a ser investigado por um alegado “crime de ódio” por ter criticado em redes o estado de Israel. A acusação é classificada pela organização Mar de Lumes como uma “perseguição política“.
A mobilização reuniu coletivos sociais e organizações que rejeitam a criminalização da denúncia do genocídio na Palestina. Durante o ato, o arguido leu um manifesto onde agradeceu o apoio recebido, reiterando que a sua atividade se foca na condenação das ações do estado de Israel que descreve como crimes de lesa humanidade.
O ato serviu de denúncia pública para alertar que o crime de ódio estaria a ser perversamente utilizado contra militantes solidários com a causa palestiniana. Lopes alertou ainda para uma dinâmica repressiva mais abrangente na Galiza citando multas e acusações ligadas a ações de boicote, como as ocorridas durante o La Vuelta a España contra a participação da equipa Israel-Premier Tech.
A queixa de ofício contra o arguido teria sido iniciada pela Guarda Civil. No inquérito policial, Lopes é acusado de utilizar as redes sociais para promover o ódio através da crítica ao sionismo. Segundo a Mar de Lumes, a acusação confunde propositadamente o antisionismo com o antissemitismo, tentando restringir a liberdade de expressão e disseminar o medo entre os movimentos de solidariedade.
O processo judicial apresenta um percurso conturbado. O Tribunal de Instrução número 1 de Ferrol arquivou inicialmente o caso por considerar que não existia crime e que havia uma confusão indevida entre a religião judaica e a ideologia sionista. Após um recurso do Ministério Público, o Tribunal Provincial revogou o arquivamento. Em decorrência disso, Lopes foi citado para comparecer em tribunal no próximo dia 10 de março.
Mar de Lumes reafirmou que estas tentativas de silenciamento não irão ter sucesso e apelou ao conjunto da sociedade a continuar denunciando os responsáveis pelo genocídio e a ocupação.

