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A decisão, tomada em Conselho de Governo em 19 de dezembro, reconhece estas manifestações como colunas vertebrais da memória coletiva e da continuidade histórica do povo galego num movimento que tentaria blindar a identidade cultural.
A distinção Bem de Interesse Cultural representa o mais alto nível de proteção que a legislação galega pode conceder. Com esta medida, a gaita de fole, a pandeireta, o canto e as danças tradicionais deixam de ser vistas apenas como folclore para serem tratadas como património imaterial de valor excecional.
Segundo a Conselharia da Cultura, este passo seria fundamental para garantir que as futuras gerações herdem estas tradições sem desvirtuações. A declaração destacou a singularidade e a riqueza de um ecossistema musical e coreográfico que sobreviveu oralmente durante séculos, adaptando-se aos tempos sem perder a sua essência.
O Governo comprometeu-se assim a incentivar a presença da música tradicional em conservatórios e escolas de música e apoiar o registo e a documentação de variantes de dança que correm risco de desaparecimento. Mas não só, o governo também se comprometeu a criar mecanismos que impeçam a deturpação destas artes em contextos comerciais, preservando o seu significado social e antropológico.
Este reconhecimento é também uma vitória para os milhares de cantadeiras, gaiteiros, artesãos de instrumentos, grupos de dança e associações culturais espalhadas pelo território galego e pela diáspora.
Sem o esforço de base destes coletivos — que mantiveram vivos os reportórios durante décadas de marginalização cultural — a declaração anunciada não seria possível.
Ao elevar a música e a dança a Bem de Interesse Cultural, a Galiza alinha-se com as diretrizes da UNESCO para a salvaguarda do património imaterial. O objetivo final seria transformar a tradição em um motor de desenvolvimento cultural sustentável.

