Pessoas que se declaram publicamente “sem religião” duplicaram face aos censos de 2011, ao todo são já 1.237.130 indivíduos
Redação |
A análise dos censos, cobrindo o período de 1900 a 1991, revela uma mudança no mapa religioso português, com o catolicismo a perder a sua dominância quase absoluta em favor de uma população cada vez mais secularizada e diversificada. Em 1900, o catolicismo representava 99,87% da população e as categorias “outras religiões” e “sem-religião” eram estatisticamente irrelevantes. Este período de nove décadas ilustra a transição de um estado com uma homogeneidade religiosa quase total para uma sociedade com uma abertura crescente à pluralidade e à secularização.
A quebra mais acentuada e significativa ocorreu na década de 1980, na qual, a percentagem de católicos caiu para 81,06% e o grupo sem-religião aumentou para 3,23%. Em 1991, esta tendência de afastamento consolidou-se, com os católicos a descerem para 77,89%, as “outras religiões” 1,76%, e a percentagem de “não sabe / não responde” atingiu um máximo de 17,62%, refletindo uma maior hesitação ou indiferença perante a questão religiosa.
Os resultados dos censos divulgados em 2021 pelo Instituto Nacional de Estatística e referentes à população com 15 e mais anos, confirmam a religião católica como a maior confissão religiosa do país, embora se observe uma tendência de diminuição do número de crentes e um crescimento notável na parcela da população que se declara sem religião. Os dados mostram que, de um total de 8.781.900 pessoas maiores de 15 anos, 7.043.016 se identificam como católicas. Este valor representa cerca de 80,2% do total.
Apesar da significativa representatividade da igreja católica, os dados mostram uma sociedade em progressiva pluralização, marcada pelo aumento dos que não se identificam com qualquer fé. O destaque dos censos reside no grupo que se declara sem religião, que atingiu 1.237.130 indivíduos. Este número mais que duplicou face aos censos de 2011, sublinhando uma importante mudança no panorama religioso e social. A par da maioria católica e do grupo sem religião, o panorama religioso é complementado por outras confissões, que também registaram crescimento.
A comunidade protestante-evangelista atingiu 186.832 fiéis, consolidando-se como o segundo maior grupo cristão; a ortodoxa, registou 60.381 crentes e as testemunhas de Jeová somaram 63.609 crentes (sendo a primeira vez que aparecem como categoria isolada nos censos). Por sua parte, a comunidade muçulmana registou 36.480 crentes, verificando um aumento significativo. Outros grupos cristãos registaram 90.948 crentes, o hinduísmo 19.471 e o budismo, 16.757. Outro grupos como a o o judaísmo (2.910) e outros declarados não cristãs (24.366), completam o mapa da diversidade religiosa no país.

