mina antipessoal ao lado duma faca militar

ONU aponta retrocesso na luta contra minas antipessoais

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Redação |

O esforço para erradicar minas terrestres enfrenta um retrocesso global impulsionado por novos conflitos e desafios.

A denúncia foi o tema central da 22ª Reunião dos Estados Partes da Convenção sobre o Banimento de Minas, que começou esta semana em Genebra com o objetivo de renovar os compromissos dos 166 países signatários.

O relatório da Convenção afirma que a Rússia, que não é signatária do tratado, tem feito uso extensivo de minas antipessoais na Ucrânia desde o início da invasão.

Por sua parte, a Ucrânia que firmou o acordo, está a tentar suspender sua aplicação durante o conflito. A guerra russo-ucraniana está também a ter outras consequências diretas. Cinco estados-membros europeus – Estónia, Finlândia, Letónia, Lituânia e Polônia – estão no processo legal de saída do Tratado Internacional para a Proibição de Minas Terrestres. Os países justificam a decisão alegando alterações nas condições de segurança regional.

O relatório “Monitor de Minas Terrestres 2025” aponta que a contaminação por artefactos explosivos afeta 57 estado, e 90% das vítimas são civis, com 6.279 pessoas atingidas em 2024.

A contaminação por minas antipessoais afeta pelo menos 57 estados, entre eles, sete estados-membros da Convenção permanecem massivamente contaminados: Afeganistão, Bósnia e Herzegovina, Camboja, Etiópia, Iraque, Turquia e Ucrânia.

Angola enfrenta um desafio importante, com 57,07 km² contaminados distribuídos em 965 áreas por 17 províncias, sendo Moxico a mais afetada.

No entanto, em um sinal de progresso, Angola informou ter eliminado em 2024 todas as 511 minas que mantinha para fins de pesquisa e treinamento.

Moçambique, declarado livre de minas em 2015, agora lida com uma ameaça crescente de dispositivos explosivos improvisados em meio de conflitos envolvendo grupos armados em Cabo Delgado.

Guiné-Bissau, que havia concluído a desminagem em 2012, relatou em 2021 a presença de “áreas minadas anteriormente desconhecidas” contendo minas antipessoais, minas antiveículo e resíduos explosivos de guerra.

Foram reportadas nove áreas de risco nas províncias do norte de Cacheu e Oio e nas províncias do sul de Quebo e Tombali e suspeita-se de outras 43.

Apesar dos reveses, a Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoais é celebrada por seus resultados concretos: a queda no número de vítimas e a remoção de minas de vastas áreas.

Dos 166 estados partes do Tratado, 94 concluíram a destruição de seus estoques, resultando na eliminação de mais de 55 milhões minas antipessoais.

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