Redação |
O dia 15 de novembro assinalou 31 meses desde o início da guerra civil no Sudão. Após os dois primeiros anos de guerra, estimava-se que mais de 150 mil pessoas tinham morrido, constituindo a pior crise humanitária e de deslocação do mundo: mais de 13 milhões de pessoas fugiram das suas casas.
De acordos com o relatório da ONU publicado em 13 de novembro, o Sudão enfrenta um colapso humanitário, com fome extrema e violência generalizada. Após 18 meses de cerco em El Fasher, a situação em Darfur do Norte, forçou dezenas de milhares de famílias a fugir, enquanto quase 11 milhões de mulheres e meninas enfrentam insuficiência alimentar aguda.
A intensificação da violência resultara em violações generalizadas dos direitos humanos, incluindo assassinatos em massa e violência sexual. Nos últimos 15 dias, cerca de 90 mil pessoas foram deslocadas, juntando-se a dezenas de milhares que permanecem presas na cidade, onde hospitais, mercados e sistemas de abastecimento de água colapsaram.
O cenário de violência alastrou-se a outras regiões, com quase 39 mil pessoas a fugir dos confrontos no Norte de Kordofan, entre o final de outubro e o início de novembro, sendo obrigadas a percorrer longas distâncias a pé, sem abrigo e sem acesso a alimentos ou cuidados médicos.
A ONU Mulheres revelou que 73,7% das mulheres não cumprem os padrões mínimos de dieta, um sinal de desnutrição severa. Muitas arriscam a vida a recolher alimentos silvestres em zonas cercadas, onde são frequentemente vítimas de raptos e violência sexual e enfrentam partos nas ruas após a destruição do último hospital de maternidade.
Amy Pope, diretora-geral da Organização Internacional para Migrações, alertou que as operações humanitárias estão à beira da rutura e a ONU Mulheres apelou a um cessar-fogo imediato, à criação de corredores humanitários seguros e ao financiamento direto das organizações lideradas por mulheres, que continuam a ser o suporte da resposta humanitária no terreno.
O futuro de milhões de sudaneses, em particular mulheres e crianças, depende de uma resposta internacional coordenada e sustentada para restaurar a segurança e a dignidade no país.

