Redação |
A Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e a Associação Nacional de Empresas de Pirotecnia e Explosivos (ANEPE) assinaram, na passada quarta-feira, 5 de março, um protocolo de cooperação. O acordo visa estruturar tecnicamente a candidatura da pirotecnia portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Caso a candidatura da arte pirotécnica seja bem-sucedida, poderá a integrar a Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Atualmente, Portugal já conta com o reconhecimento oficial de expressões como o Fado, a Dieta Mediterrânica, o Cante Alentejano, a Falcoaria e o Figurado de Estremoz. A lista de distinções inclui ainda o Carnaval de Podence, o Fabrico de Chocalhos, a Olaria de Bisalhães, as Festas do Povo de Campo Maior, a Arte Equestre e o projeto Ponte…nas Ondas! que visa salvaguardar o património cultural imaterial na raia entre Portugal e a Galiza.
Lina Guedes, diretora da ANEPE, sublinhou a importância do momento, classificando-o como um marco para o setor. Segundo a responsável, o protocolo dá início a um processo de investigação rigoroso e transparente, que visa mapear a presença profunda da pirotecnia na cultura portuguesa. O objetivo passa por identificar o impacto desta atividade em diversas frentes, desde a componente histórica e patrimonial até às dimensões etnográfica e gastronómica das celebrações nacionais.
A coordenação deste processo ficará a cargo de uma equipa de docentes e investigadoras da FLUP, responsáveis pelo desenvolvimento do estudo científico que servirá de base à candidatura. Ana Cristina Sousa, diretora do Departamento de Ciências e Técnicas do Património, destaca a solidez da equipa, composta por três docentes com experiência em processos semelhantes.
Paula Pinto Costa, diretora da FLUP, sublinhou que esta colaboração reforça a missão da instituição em estreitar laços com a sociedade. Para a responsável, o projeto funciona como um catalisador para que a faculdade coloque o seu conhecimento ao serviço da comunidade, contribuindo ativamente para a preservação de uma expressão que considera ser uma arte matricial da cultura portuguesa.

