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Editoras denunciam exclusão da Feira do Livro de Lisboa

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Mais de 2.000 pessoas assinaram uma petição contra a exclusão de 40 editoras independentes da 96.ª Feira do Livro de Lisboa.

Redação |

A iniciativa, da distribuidora DNL Convergência, acusa a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) de privilegiar grandes grupos e prejudicar a diversidade editorial. A iniciativa conta ainda com o apoio de mais de 100 profissionais do setor — como editores, designers, revisores e livreiros — além da adesão de mais de 250 autores.

Para Pedro Cipriano, responsável pela DNL Convergência, a decisão da APEL ultrapassa questões logísticas e situa-se no plano político. “É uma decisão política que favorece os grandes grupos em detrimento das pequenas editoras”, lamenta.

A exclusão destas editoras retira do certame cerca de 10% da programação cultural, resultando no cancelamento de mais de 200 sessões de autógrafos, lançamentos e debates.

Para ilustrar o impacto, a DNL revelou que, no ano passado, promoveu 220 sessões de autógrafos e 36 eventos de palco. Para a edição atual, já estavam confirmadas 75 sessões de autógrafos e 23 eventos, agora em risco devido à decisão da organização.

A DNL destaca que a exclusão atinge editoras de poesia, ficção e literatura regional. Estes projetos independentes eram fundamentais para a bibliodiversidade da feira, garantindo uma oferta literária variada que fica comprometida pela ausência destas casas editoriais.

O coletivo de editores avançou com uma contestação formal junto da APEL, exigindo acesso às atas e aos critérios usados no rateio dos espaços. O grupo não exclui recorrer aos mecanismos estatutários da associação para obter esclarecimentos detalhados sobre a decisão.

A APEL justificou a decisão alegando que o número de inscrições superou a quantidade de pavilhões disponíveis. Segundo a associação, esse excesso de pedidos obrigou a organização a realizar um rateio dos espaços, seguindo estritamente os critérios regulamentares previstos.

Em 2025, a APEL reagiu com “surpresa” às denúncias de editores independentes que apontavam um alegado favorecimento dos grandes grupos editoriais. A associação refutou as críticas na altura, apesar do descontentamento crescente no setor sobre a organização da Feira do Livro de Lisboa.

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