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A Rede Aberta, operadora galega de fibra neutra, garantiu a adjudicação de um projeto estratégico apoiado pelo programa CEF Digital. Esta iniciativa, impulsionada pela Comissão Europeia, constitui um dos pilares fundamentais para modernizar e robustecer a infraestrutura de conectividade digital no espaço comunitário.
O projeto “North-West Atlantic Iberian Ring – Atlantic Arc” representa um avanço crucial no estudo e desenho de uma nova rede troncal terrestre de alta capacidade. O foco incide sobre o eixo atlântico, um corredor estratégico que, apesar da sua importância, ainda enfrenta debilidades estruturais acentuadas em termos de conectividade.
Este novo corredor atlântico estabelecerá a ligação entre os principais polos portuários, industriais e logísticos da fachada ocidental da Península Ibérica e do sudoeste francês. Contudo, ao contrário de outras regiões europeias com redes terrestres de alta capacidade já consolidadas, o eixo atlântico ainda carece de uma infraestrutura troncal que assegure os níveis necessários de redundância, resiliência e alto desempenho.
Esta iniciativa viabilizará o estudo de uma nova rede com quase 2.000 quilómetros, que unirá centros estratégicos como Sines, Lisboa, Porto, Vigo e Corunha na faixa atlântica e, Gijón, Santander, Bilbau, Bayonne e Bordéus, na área cantábrica. O projeto prevê a análise de extensões para zonas rurais, promovendo uma conectividade mais inclusiva e equilibrada.
O projeto transcende a instalação de fibra ótica; o objetivo central é desenhar uma arquitetura de interconexão para otimizar a capacidade, reduzir a latência e reforçar a segurança das comunicações, num paradigma onde a integridade dos dados é já considerada uma infraestrutura crítica para a soberania e o desenvolvimento.
À semelhança das grandes redes energéticas, o CEF Digital posiciona a infraestrutura de conectividade como um pilar fundamental da União Europeia. Perante a crescente procura de computação na nuvem e de IA, a expansão de corredores digitais seguros e resilientes é hoje uma condição indispensável. Não se trata apenas de ligação, mas de assegurar a autonomia estratégica e a liderança económica.
Este projeto permitirá o estudo de novas rotas que reforcem a interconexão das regiões atlântica e cantâbrica, em alinhamento com as metas europeias de coesão territorial e transformação digital. A fachada atlântica, historicamente remetida para a periferia dos grandes mapas de infraestruturas continentais, poderá assim conquistar um novo e estratégico protagonismo.

